Romanoff

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Muito antes do despertar do interesse pela Rússia como exemplo de forma de governo que se mostraria estrondoso insucesso, fiquei fascinada pela história daquele povo que enfrentava neve, desgraceira sem fim, fome, liderou a corrida espacial, e possuía história incomum de como “uma família transformou principado arruinado pela guerra em um dos maiores impérios do mundo.” Poder ilimitado, implacável construção de império fervilhante, os Romanoff, Romanov ou Románov - ainda não cheguei à conclusão sobre a grafia correta do nome da família - foram a mais bem-sucedida dinastia dos tempos modernos, tendo governado um sexto da superfície da Terra. Imagine-se, na mesma história, o elenco fervilhante de aventureiros, cortesãos, revolucionários e poetas, mais Ivan, o Terrível, Tólstoi, Rainha Victória e Lênin. Criaturas que existiram, de carne e osso ou pelo menos, tornaram-se reais, pela força da pena dos escritores russos...

Na mesma história dos Romanoff, vamos chamá-la assim, temos Rasputin, o ogro; a bela Czarina Alexandra e sua dor por ter posto no mundo o único herdeiro do marido, o Czar Nicolau, carregando terrível hemofilia que apenas desaparecia com as mágicas do desonesto Rasputin - pelo menos assim ela achava - o mesmo que, às suas costas, tramava, cobiçava, invejava, futricava. Enquanto isso, desenrolava-se história repleta de conspirações, rivalidades, pobreza, excessos, muito sexo e extravagância. A dinastia Romanov comandou o destino da Rússia por 304 anos. Terminou tragicamente em 17 de julho de 1918, com o assassinato a sangue frio de Nicolau, Alexandra, do pequeno Czar Alexei, das quatro belas filhas do casal, Olga, Tatiana, Maria, Anastácia e de todos aqueles que escolheram acompanhá-los no exílio. Foram mortos por tropas bolcheviques lideradas por Yakov Yurovsky, sob as ordens do Soviete Regional Ural.

Sugiro dois títulos de filmes fascinantes sobre os Romanoff. Alexei e Alexandra, coprodução americana e inglesa, com cenários deslumbrantes, que mostra o profundo abismo entre o fausto e esplendor próprios da nobreza e a miséria do povo russo que, parece, não aprendeu ainda a se desvencilhar das barbaridades de seus líderes. Em 1972 levou dois Oscars e ainda foi nomeado para quatro outras categorias. Recentemente a série Os Romanoffs, ambientada em vários lugares do mundo, apresenta histórias distintas sobre pessoas que se acreditam descendentes da família real russa. A primeira temporada tem oito capítulos, com artistas do naipe de Aaron Eckhart e Isabelle Huppert. Fascinante! Para quem prefere ler, a dica é apostar no Os Romanov 1613 – 1918, de Simon Sebag Montefiore. Experimente um Romanoff que seja, e depois deixe-os, se for capaz.

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