Até certo ponto

Por: Ligia Freitas

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E se eu morrer...
Fico me perguntando
Depois de arrumar minhas tabelas e gráficos
E fazer planos
 
E se eu morrer... 
Vou passar tanto tempo morta
Que é melhor viver
Nem que sejam os desenganos
 
Quero que você me leia por inteiro 
Nua
 
Enquanto tira a minha roupa
Não aceito cafuné
Deixa pra defunta 
Quero café amargo
Tilintar de copos e pratos 
Música ao pé do ouvido
Estômago cheio
A cereja do bolo no meu bolso
As pedras da mochila jogadas na trilha
 
Desista
Há quem diga
Nem em sonho
Me  oponho
Tenho um caminho 
Sigo-o até certo ponto
Não copio 
O da prima, o da tia, o da vizinha 
 
Não quero nada além da minha existência
Penitência dos fracos
Matéria prima dos oprimidos
Bengala dos falidos
Tijolo para os bem- validos
 
Os dedos da menina são iguais aos do pai
Ele tocava piano
Ela
Não toca mais

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