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Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Em outubro pedirei a amigos de todas as religiões, que levem a seus chefes espirituais – católicos, espíritas, evangélicos, judeus, muçulmanos, o pedido para que celebrem ritos e rezem orações que exaltem, enalteçam e louvem professores, aqueles a quem está entregue a árdua tarefa de acompanhar e orientar as novas gerações. Lourenço Diaféria, cronista brasileiro falecido em 2008, certa vez escreveu texto memorável, sobre cena jamais esquecida, vivida por ele e seu pai, Sr. Nicola. Intitulou-o A marca do professor.

Lourenço e Nicola saíram para visitar alguém que, ao recebê-los, escancarou portas e braços e lhes fez a maior festa. Nicola não era chegado a muitas emoções, mas estava evidentemente feliz com o reencontro. Paulo, o dono da casa, em contrapartida, parecia estar recebendo os reis magos. Abraçou com efusão os visitantes. Surpreendente e subitamente, curvando-se para a frente, puxou com delicadeza a mão do Sr. Nicola e a levou aos lábios, beijando-a. Paulo pedia a bênção do pai de Lourenço, que estranhou um bocado: ele se julgava a único com direito a pedir a bênção ao pai... Pois Paulo, mesmo homem feito, não se envergonhou e ainda acrescentou ao gesto, palavras que soaram nítidas:

“ - Sua bênção, professor! “ Lourenço presenciava ligação que ultrapassava longe a linha da amizade. Era amor de filho para pai; era gesto de profunda gratidão, carinho e respeito; era a mais pura manifestação de estima de ex-aluno por seu ex-professor.

Recentemente, ao entrar numa loja, a proprietária me cumprimentou, ao me reconhecer. De fato, ela me conhecia, eu que me havia esquecido dela, porque o tempo passa, envelhece a gente e muda os jovens... Ficou difícil ver a menina de outrora naquela moça bonita e adulta que me atendia. Conversamos e ela se identificou como neta da minha professora de Geografia do passado, Dona Maria Inês. Ai a gente reconhece traços de semelhança física, alguns trejeitos, certo timbre de voz. Fiquei eufórica, contei à moça algumas passagens dos tempos escolares, como custei a diferenciar cúmulos, cirros, estratos e nimbos... aquelas nuvens que me deixaram de segunda época. Contei-lhe que havia recém lido crônica de Lourenço Diaféria e que me lembrara especialmente de duas professoras. Dona Maria Inês e dona Meire Spessotto. Pedi-lhe que transmitisse meu carinho, meu respeito, toda minha consideração à sua avó. E, afirmei, eu lhe pediria a bênção, quando me encontrasse com ela novamente.

Como Lourenço, não sei se existem ainda laços de afeto tão fortes entre alunos e professores, ou se esses relacionamentos terminam, quando termina o curso. Como Lourenço, afirmo que “nenhum país poderá atingir altos graus de civilização e de progresso, enquanto o professor não for prestigiado e formado para ser mais do que professor: para ser alguém que, por onde passar, deixará a lembrança e a marca de sua bênção.”

Sua bênção, Dona Maria Inês. Sua bênção, Dona Meire. Vejo ambas dia 15 de outubro!

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