A Grand-Place

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Na opinião de Victor Hugo, a Grand-Place de Bruxelas é “uma das mais belas praças do mundo”. Centro geográfico, histórico e comercial da capital é espaço vibrante, cheio de pequenas lojas que guardam suas características externas de diferentes e distantes épocas de construção, hoje transformadas em lojas de artesanato – rendas, principalmente e mais livrarias, joalherias, edifícios públicos - Câmara Municipal e a Casa do Rei. Imenso espaço. Querendo, o observador pode se postar no meio dele, isolar barulhos externos e girar o corpo 360 graus acompanhando com o olhar limites, marcas e detalhes das construções. Percorrerá, com a imaginação, além da história, muitas dores, incontáveis alegrias e superstições. No centro da praça, muitos, muitos séculos nos contemplam. A cada dois anos, desde 1971, seu chão é coberto por tapete de begônias coloridas feito por mãos humanas e idealizado, com o propósito de homenagem por E. Stautemans, arquiteto paisagista. Realidade e ficção se misturam no elenco de personalidades belgas. Dos mais conhecidos e famosos, retirado dos contos e romances de Agatha Christie, está Mr. Hercule Poirot. Belga de nascimento, o lendário detetive está sempre envolvido em mistérios, geralmente com o seu ajudante Capitão Hastings ou com o Inspetor Chefe da Scotland Yard, Japp. Mercator, nascido em Flandres em 1512, é o cartógrafo que desenvolveu o primeiro mapa mundial para mostrar escala linear usada na navegação e foi quem criou o primeiro atlas. Rubens, pintor barroco, nasceu e foi criado em Antuérpia, onde se pode visitar sua antiga casa e estúdio. O saxofone é criação belga. Horta, arquiteto cujo nome remete à Art Nouveau, influenciaria o mundo todo com suas obras e visão arquitetônica. Audrey Hepburn é belga de nascimento. Magritte, aquele da pintura do homem com a maçã verde na frente do rosto, também, embora Les Amants, outra instigante obra sua, tenha me paralisado muito mais tempo à sua frente... Mannekeen Pis, monumento criado em 1388, localizado a poucos passos da Praça Central, pequena fonte em bronze de menino fazendo xixi na direção da bacia da fonte é o mais conhecido símbolo do povo de Bruxelas, expressão do seu bom humor e liberdade de pensamento. Não bastasse, de Bruxelas se pode ir a Bruges, Antuérpia e Gam. Ou visitar o Atomium, símbolo da Expo 58, que o povo, a exemplo do ocorrido com a Torre Eiffel, não permitiu destruir. Os músicos adorarão o Museu de Instrumentos Musicais; turistas, em geral, levarão Stella Artois na mochila e muitos, muitos chocolates – como Godiva - que deverão ser comidos com reverência e respeito. Sem parcimônia, porém. Bruxelas é a capital da Bélgica. E da União Européia.
 

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