Bordado de Família

Por: Ligia Freitas

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Peguei sua fotografia
E assisti de camarote à sua família
Seus olhos de criança diziam tanto,
Não sei bem o motivo do seu pranto,
Mas quis te abraçar.

-Que estranho- você disse,
Ao ver o carinho de um desconhecido.
Eu sei, a vida é feita de desenganos
E pode assustar.

O mais engraçado
É que nos conhecemos sim,
Simplesmente porque somos humanos.
Fiquei sabendo que na sua família tem briga,
Adivinha na minha?
E que na sua há o Mestre, a Princesa,
A Plebeia e o Barão de Veneza.
Na minha?
Ganha um pirulito quem virar as cartas da mesa.

Agora rasguemos todos os Rótulos,
Sem papel de realeza,
Tudo junto e misturado
Não se sabe quem é quem,
Há cheiro de gente de verdade
E até de amor
Pode ter certeza.

Não há vilão e mocinho
Num bordado de família,
A colcha da vovó
É um emaranhado de tecidos
Que desemboca num só,
Quem não tem saudade da comida dela
Ou do cafuné no cangote?
Da vida somos mascote,
Quando nos lembramos da sua grandeza.

Acima de todas as coisas findas,
Aquela que dá conta de tudo
E nos aproxima da nossa pequenez
É o perdão.

Não se deixe levar pelo calor do dia a dia,
Pelas folhas que perdemos pelo caminho
Ou pelo frio da distância do palco da vida
Que se acomoda na mesmice já partida.

Seja flor onde haja pedras e espinhos,
Seja água para rodar moinhos,
Cresça no que for invisível aos olhos,
Sem se importar com a grama do vizinho
Ou com aplausos de Baronesa.

Sê tu,
Tão somente tu,
Primavera que nasce
Em jardim de gente que é gente
E deixa cair o café
Em toalha bordada de borboleta.

Poema escrito a pedido de Rita Paes Leme para homenagear os participantes da Palestra realizada no dia 05 de outubro de 2019 pela psicóloga Joseane Barbosa de Oliveira (tema: Família-Facilidades e Dificuldades nos Tempos atuais), no âmbito do Clube de Mães e Amigos do Capítulo Juventude e União de Franca, 62ª gestão.
 

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