Qual a duração do amor?

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

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Esta pergunta fiz a mim mesma quando saí de seu escritório, entristecida com a notícia de sua separação. Casados há mais de dez anos, com um filho pequeno, pareciam felizes e tinham boas condições materiais e emocionais para a felicidade se concretizar. “Não havia mais amor entre nós”, foi a explicação que me deu, um pouco pesaroso.

Não me convenci, porque o verdadeiro amor sobrevive; mesmo que o tempo influa no relacionamento, provocando variações de sentimentos, ele consegue ser duradouro. Persiste, permanece, desafia as intempéries, vence e não há nada que possa abalá-lo. Este amor que ainda persevera em muitos casamentos está acima do bem e do mal e não se cogita a dissolução da união. Os interesses são mútuos e só a morte pode separar um amor assim. São raros, mas não impossíveis.

Não era o que ele vivia.

Há amores de variadas intensidades e duração e não são iguais para todos. São infinitos os anseios dos enamorados. Nem sempre são correspondidos. O amor entre seres humanos pode estar contido em todas nossas pequenas atitudes: no carinho de um olhar, em um aperto de mão, uma palavra gentil, um gesto amoroso, um sorriso suave. Talvez seja este tipo de amor que ele sentiu não existir mais entre eles. A paixão se esvai, mas o amor precisa ser cultivado, assim como as amizades.

Ainda envolvido em angústias e sentimentos conflitantes, ele destina-se, agora, a procurar novas emoções, namoros, tentativas e experiências. Ele aspira à felicidade, mas não basta ter a intenção. Terá ele o dom para buscar o pretendido? Será que conseguirá ser, inteiramente, feliz? Espero que sim. A vida é dinâmica e imprevisível e ele precisa se encontrar e amar, novamente, para o seu bem e de seu filho.

Qual será a duração de seu próximo amor?
 

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