O hoje Bem Diferente de ontem

Por: Ligia Freitas

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Com o tempo conquistamos experiência de vida e passamos a olhar diferente, bem diferente, para as nossas expectativas.

O mundo acabará se eu não for à festa da fulana? Aquela briga que eu tive com a sicrana é para sempre?

Sabemos que não, e por sabermos tanto esse tanto dói e às vezes cega. Quem nunca fechou os olhos para o óbvio, feito um adolescente?

Queremos passar para os jovens o que aprendemos com a vida, simples não é, são outros óculos, outro ângulo de visão.

Sabe aquela casa na fazenda, eu vejo uma cachoeira bem atrás dela, então você me diz que apesar de morar naquela casa nunca a tinha visto, percebe como é difícil falarmos sobre as águas dessa cachoeira que você nunca viu?

Pela primeira vez na história vemos uma geração de pais e filhos que não saem do celular.

E as benditas águas, como as veremos se não deixarmos de lado aquilo que está em nossas mãos?

Como é bom percebermos que para vermos precisamos enxergar.

Viver hoje é diferente, bem diferente, do que foi outro dia, não respiramos mais pelos poros da pele, respiramos pelos dedos que abreviam palavras (e a vida) nas telas chamadas touch screen.

Interagimos inevitavelmente com algo entre nós, na mesa, na mão, na bolsa, são olhos que não focam no outro que fala, vão e voltam para o nada.

Um segundo de respiro e pronto: olhamos para dentro de nós: o que estou fazendo comigo, com a minha família? Que paranóia é essa diferente, bem diferente de tudo que parecia singelo de dizer tchau?

O mapa da mina, o tesouro não pode estar em ferramentas, aparelhos, objetos construídos pelo homem, mas não para o homem.

O barco nos carrega pelas margens do rio São Francisco, o barco foi construído para o homem. Olha, que linda aquela cachoeira atrás da casa. Alguém me diz quem é, por favor?

É a mãe água, poucos a veem, ela é tão humana que passa despercebida.

Eu falo alto, brincam que é porque eu nasci na cachoeira, talvez por isso eu goste de cantar, não porque tenho um microfone em minhas mãos, mas porque tenho garganta.

As coisas andam diferentes, bem diferentes do que foram um dia, e o tempo abreviado chega a voar. Tudo tá diferente, bem diferente, mas o peito, o lado esquerdo do peito continua igual.

-Vai, larga isso aí, acabei de largar o meu também, vem cá, consegue ver aquela pessoa bem atrás da casa te estendendo as mãos?


 

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