A chave

Por: Ligia Freitas

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Esta maldita chave que não abre a porta
Posso ouvir o burburinho
Meus ouvidos se estranham
Chacoalho o molho
Será que trocou o segredo?
Que segredo é esse que não cabe entre os dedos?
Tava tudo certo, tudo certo, tudo incerto
Essa lama, essa vaca na minha cama
Esse lamuriando, lamuriando 
Meu pranto que cospe e engole esse amargo 
A chaleira apita, só falta tomarem um café 
Não, não, chega de chama
Levanta, sua vagabunda moribunda 
Quando eu abrir essa porta eu acabo com você 
Tilintar de xícaras, seria chá? Chá de quê? 
de bu, bu, como é mesmo? Boldo 
-Shhhh
Alguém pediu silêncio? 
Perceberam a minha presença? 
Meus ouvidos estão grudados na porta
Céus, conheço essa respiração 
Bendita chave que range os dentes 
Vira, vai, entra, entra, entra, gira
Passos ocos
Escondo minhas mãos 
Um alto gemido 
-Minha filha, você não!
Deito no chão do hall, com os cabelos no rosto
Chega a vizinha e pergunta se quero um Sonrisal 

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