Sobre a bondade e tempos

Por: Maria Luiza Salomão

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Substantivo abstrato trava entendimento concreto.

Morei em São Paulo, Ribeirão Preto. Nasci em cidadezinha rural, Ituverava. Testemunho, intermitentemente, tempos assim e assados no Rio de Janeiro.

Viajo para conhecer os humanos, em sessões íntimas e profundas, cotidianas; pelas culturas estrangeiras.

Tenho alma espanhola, portuguesa, africana, índia, descendente de Iracema. Tantas almas! Brasileira, certamente.

Conheci reacionários/revolucionários; temerários/medrosos; controladores/escorregadios. Compromissados/ dispersos.

Homens/mulheres de areia? De granito?

Amadores de ventos; alpinistas. Valentes sem causa; covardes justificados. Convictos de serem justos; sofredores de santas, sábias dúvidas: os generosos. Solitários; solidários. Mesquinhos/avarentos; perdulários/mercenários.

Sedutores; os fiéis às convicções: que lutam pelos seus valores.

Interesseiros; íntegros/genuínos.

Há o “bloco do eu sozinho”, e o de “bandos”. Os que se entregam à Dor, ou ao Amor; melindrosos/desconfiados; prudentes/atirados. Melodramáticos; obsessivos; aproveitadores.

Odientos, ressentidos; os de devota prática - que perdoam. Os que de nada se arrependem: deveriam!

Fofoqueiros, tecedores de intrigas (amam fake news!). Os que promovem inclusões/ fomentam amores.

Eternos culpados; indiferentes, arrogantes, brutos; rudes avoados, acreditando-se “inocentes”. Cínicos/ ingênuos.

De pedra, de água; calculistas/ espontâneos; fiéis/promíscuos. Falsos brilhantes/ gangas brutas de valor. Observadores/distraídos.

Mentirosos, delinquentes; confiáveis/ íntegros.

Bondade com signos diversos. Virtude é circunstancial?

De pedra/terra: substanciosos. De água/ar: fluidez de matéria.

Dupla natureza: terra/ar; fogo/água: carregam pedras/desejam voar; queimam esfriando; agem calados.

Há verbosos, que lindam ser e estar.

Está controlador, voluntarioso, medroso, escorregadio, irado, ou é ciumento, invejoso, competitivo?

Quem é, é... feito estátua? Mutáveis: ativa, passivamente. Somos/estamos bons/ cruéis em tempos/ espaços diferentes.

Vistos no cerne, ou na aparência?

Não se é um só...sempre/nunca.

É preciso cuidados para que a bondade não se esgote, não se perca, não se contamine, não se quebre.

Que ela permaneça firme, pilar!

Bondade às claras, às escondidas, profunda, sentida, constante, dentro: que ela esteja/seja presente em tempos cruéis. Assim esteja/seja!

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