Me tornei um Menudo

Por: Paulo Rubens Gimenes

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Vindo de Porto Rico e devidamente “maqueado” nos Estados Unidos, o grupo musical Menudos foi uma das coisas mais exóticas que aconteceram nos exóticos Anos 80. Os cinco adolescentes da banda levavam as mocinhas por onde passavam a uma histeria que beirava à Beatlemania.

A passagem deste fenômeno pelo Brasil também não foi diferente. Em cada cidade, em cada apresentação, verdadeira legião de meninas os saudavam com gritinhos que atingiam inimagináveis níveis de decibéis.

Creio que o ano era 1985 e os Menudos vieram se apresentar em Ribeirão Preto. Eu também estava lá; mas como não era adolescente, tampouco fã apaixonada, credito apenas à coincidência o fato de estarmos, eu e os Menudos, numa mesma cidade.

Como já havia passado alguns anos da adolescência, minha presença em Ribeirão Preto tinha um motivo menos glamouroso. Estava fazendo um curso na matriz regional do Banco Nacional, empresa em que trabalhava à época na agência de Franca.

Mas a coincidência maior foi que, além da cidade, estava hospedado no mesmo hotel que os Menudos e é aí que a história começa.

Prudentemente, a gerência do hotel reservou aos garotos e sua trupe os quartos dos fundos, que não tinham contato direto com a rua que, desde as primeiras horas, já estava repleta de fãs e seus insuportáveis gritinhos.

No décimo andar, num apartamento de frente para a rua, estávamos hospedados, eu e dois bancários de Orlândia que também estavam em Ribeirão para fazer o curso do Nacional. Um deles, o Lauro, estranhando a algazarra na rua às sete horas da manhã, chega até à janela e abre um pouco a cortina pra espiar.

_ É o Robby – grita uma garota lá da rua.

Automaticamente todas as fâs põem-se a gritar e tentar romper o cordão de isolamento colocado pela polícia.

Imaginem três jovens bancários com muita imaginação, um grupo de fãs ensandecidas e tá feita a brincadeira. Enrolávamos toalhas na cabeça e aparecíamos rapidamente acenando para a turba enlouquecida e nos divertíamos com o caos que a aparição dos “Menudos do Banco Nacional” desencadeava.

Estávamos adorando nossos “quinze minutos de fama” profetizados por Andy Warrol, mas os policiais e funcionários do hotel, não. Resultado: após uma dura advertência e ameaças de despejo, acabou-se a brincadeira.

Trocamos de roupa em meio a gargalhadas, deixamos nossa vida de superstars e fomos aprender Matemática Financeira no Banco. Não sem antes fechar com chave de ouro... Lauro, o Menudo Tupiniquim mais corajoso, atira pela janela uma cueca suja para delírio das fãs.

O tempo passou. Os Menudos acabaram e o Banco Nacional também. Ficou esta lembrança, um sorriso maroto e uma curiosidade. Será que uma fã tem guardada a cueca do Lauro?


 

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