Elizabeth II

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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No seu reino, nem tão unido assim, é Elizabeth. Aliás, Elizabeth Alexandra Mary Windsor, Elizabeth II. Traduzida, Isabel. Isabel II. O filme que registra as históricas cenas daquele distante Fevereiro de 1952, provavelmente chegou ao Brasil no mínimo dois anos depois. Foi visto pelos francanos no Cine São Luiz. Pompa e circunstância para transformar aquela jovem mulher em uma das mais poderosas criaturas do Planeta. Ela cumpriu à risca todo o protocolo da coroação antes, durante e depois. Nos anos seguintes contornou no seu vasto império crises, problemas sociais, bagunças políticas e familiares. Ficou grávida, teve filhos, superou crises matrimoniais, como ser humano teve ciúmes, tristezas, angústias e venceu esses e outros contundentes sentimentos humanos repetindo-se “Não é escolha. É dever.” De bom, mesmo, nunca arrumou camas, passou fraldas ou saiu para abastecer a casa.

Olho as mulheres que buscam “empoderamento”, como se isso fosse produto disponível nas prateleiras que expõem bolsas, sapatos e vestidos de grife e me pergunto quem será que empoderou aquela jovem de 25 anos apaixonada desde os 13 anos pelo marido e muito mal retribuída; aquela criatura que foi em busca de conhecimento quando, já rainha, percebeu falas e lacunas na sua educação; aquela mãe que talvez nunca tenha ido a alguma reunião de pais e mestres na escola à frente de quem desfilaram e se curvaram todos os mandatários e políticos, dos países do mundo inteiro, heróis, artistas, cientistas, premiados, nobres, plebeus, desde aquela cerimônia de coroação tão distante no tempo, ainda hoje lembrada e reverenciada. Ela podia ter sido um fiasco. Ela reina mas não governa. Mas na maioria das casas inglesas há sempre um nicho, um cantinho, onde se pode ver sua fotografia no porta-retratos, na caneca de tomar chá, no prato de enfeite, Até numa máscara. Aos 93 anos, continua amada pela maioria do povo inglês. Herdou a simpatia do pai, a determinação da mãe. Completou Jubileu de Diamante de Reinado e após 62 anos ininterruptos, sabe que ao longo deles foi sempre a “Mulher mais Poderosa do Planeta.”

A curiosidade é grande sobre sua vida íntima, alimentada por filmes, séries e documentários. Nessas abordagens chama atenção o fato de que a Rainha mantém atitude soberana e exibe em todos os momentos postura impecável, chegando ao exagero de ficar com bolsa pendurada no braço até em casa, ao receber na intimidade seus Primeiros-Ministros. Igualmente surpreende sua postura firme e determinação, mesmo quando a situação está feia mas ela, como líder, não pode fraquejar.

Em 2016 a Netflix lançou The Crown, e o mundo invadiu a intimidade - com misto de admiração, curiosidade e carinho - da Elizabeth irmã e filha, da Elizabeth esposa e mãe, da Elizabeth estadista e líder. Na segunda temporada, a ser lançada dia 17, Olivia Colmon – Oscar 2019 de Melhor atriz, por A Rainha, e Tobias Menzies substituem Claire Foy e Matt Smith nos papéis principais. Helen Mirren, grande atriz inglesa, também levou o Oscar por A Rainha, que focava os dias seguintes à morte de Diana, ex-nora.

Diante de situações conflitantes, dicotômicas e difíceis, ela se pautou pela regra de conduta “Não é escolha. É dever”, que bem que podia ser adotada por ministros, senadores e deputados brasileiros.

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