O bebê de Gormley

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Turista que vai a Londres procura atividades diferentes, compatíveis com seu gosto pessoal, interesses e preferências. E há gosto para tudo. Há os marcos históricos como os Palácios dentro e fora dos limites da cidade, catedrais, Parlamento, Museus; ou com os contrastes entre o moderno e o muito antigo, como aquele entre o Gerkin, prédio comprado pelo Banco Safra, e a Torre de Londres, onde morreu Ana Bolena. As ruas comerciais têm as mais lindas lojas e vitrines das mais prestigiadas marcas da moda, e o interior do país é absolutamente estonteante. Paisagens estonteantes são formadas por lagos e montanhas na região do Lake District e as Highlands na Escócia, terra banhada pelo sangue dos antigos britânicos. Dizem, também vale a pena ir à Irlanda. Em termos de museu, muitas referências e muitos deles com entrada gratuita: Museu de Londres; Ciências; História Natural; Britânico; Victoria & Albert; Museu de Londres (de fotos); da Guerra; do avião Concorde. Há também possibilidade de visitas a castelos, nos arredores de Londres, como o de Highclere Park, onde foi filmado Downton Abbey, série que virou filme que recém chegou ao Brasil, e o Castelo de Waddesdon Manor, dos Rothschild, que segundo a lenda foi retirado, pedra por pedra, da França e reconstruído, pedra por pedra, na Inglaterra. Contam, também, que foi usado para ser o castelo de Branca de Neve. Mais locais onde se exibe arte: National Gallery, Tate Britain, Tate Modern – localizada em imenso galpão, à beira do Tâmisa, de onde se atravessa, a pé, pela Ponte do Milênio para as imediações da Catedral de Saint Paul.

Na Piccadilly Road, em frente à Fortnum & Mason, casa de chás onde a Rainha vai buscar os seus e que fica próxima à centenária livraria Hatchalds, bem ao lado da Burlington Archade onde em cada metro quadrado existe loja de jóias antigas absurdamente lindas e valiosas está a Royal Academy of Arts. Ao longo de sua existência, montou exposições lendárias. A de arte Bizantina; com trabalhos de Fabergé; cartas de Van Gogh para o irmão Theo – as cartas originais, com os esboços em miniatura dos quadros que pretendia pintar e a maioria das obras concluídas nas telas que se tornaram, mais tarde, famosas. Todos os anos promove a Exposição de Verão de Arte Moderna, que descobre, revela e consagra novos artistas, como Grayson Perry. Neste final de ano há duas exposições: a de esculturas de Antony Gormley; e as pinturas com variadas algumas e sui-generis outras técnicas de Lucian Freud, neto de Sigmund Freud.

No amplo pátio de entrada do RA, Gormley colocou escultura em ferro de bebê recém-nascido, tamanho natural, diz-se que inspirado em sua filha. Nu e em decúbito ventral, está estrategicamente colocado diante do imponente prédio. Não há quem passe e não se sinta atraído pela desproteção, solidão e desamparo da figura que, mesmo em ferro, consegue empatia dos transeuntes. Esse é o poder da arte. Se Nova York é a capital do mundo, Londres é o centro dele: é aqui que toda mudança começa. E as novidades, em qualquer área, acontecem.
 

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