Concorde

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Foi o mais famoso, mais bonito avião comercial de passageiros que já existiu. Milagre tecnológico, símbolo de glamour internacional. Supersônico. Produzido entre abril de 1965 e final de 1978. Teve seu primeiro vôo de prova em março de 1969. Era o Concorde!

Se não chegou a ser um grande sucesso de vendas, era o sonho de muitos viajantes. A bordo dele, servia-se champanhe o tempo todo. Dentro, não havia setores de classificação. Era todo ele primeira classe e o ronco de sua passagem era ouvido por onde quer que passasse. Foi pilotado por apenas duas mulheres, a francesa Beatrice Vialle e a inglesa Barbara Harmer. Todos seus outros pilotos foram homens. Sobrenatural, alcançava o dobro da velocidade do som. Máquina perfeita, foi durante algum tempo, o mais alto grau da representação da engenharia humana. Usaram-no artistas, como Joan Collins; brasileiros, como o jogador Didi e Washington Olivetto, e modelos internacionais que reclamavam dos 1,90m de altura do corpo da aeronave, o que as fazia andar curvadas... Ouvia-se com freqüência que o Concorde era “a coisa mais espetacular que o homem já produziu”... Porém, em 2003, sua era havia chegado ao fim: “é um avião maravilhoso, ícone, mas sua hora chegou. É um avião antigo, não parece, mas foi desenhado nos anos 50 e construído nos anos 60”.

O Concorde viabilizou coisas consideradas impossíveis para muitos executivos como sair cedo de suas casas em Nova York, cruzar o Atlântico, almoçar em Paris e voltar para suas residências para jantar, dormir e começar um novo dia. Com o Concorde era possível estar às 10 da manhã em Londres e também às 10 da manhã, em Nova York, por causa do fuso horário...

Prova da engenhosidade humana, o Concorde foi projetado com uma simples régua de cálculo e os computadores que usava para cálculos complicados eram analógicos e não digitais. Eram aparelhos caríssimos, tanto assim que existiram pouquíssimos semelhantes – apenas vinte deles foram construídos ao longo do tempo - e apenas um desastre, terrível, aconteceu no vôo 4590, que caiu sobre hotel na França, quando morreram 109 passageiros e 4 pessoas que estavam no hotel.

Às seis da manhã de 24 de outubro de 2003, no saguão do Concorde, no Aeroporto J.F.K, em Nova York, passageiros especiais aguardavam para se acomodar no aparelho e desfrutar do último vôo até Londres. Foram recebidos pelo comandante e estavam todos eles visivelmente emocionados. Iriam, pela última vez, em apenas três horas, de Nova Iorque até Londres; cruzariam o Atlântico num piscar de olhos. O legendário supersônico Concorde pousou no aeroporto Heathrow, em Londres, e fechou, com seu último vôo comercial, um dos “capítulos mais glamourosos da história da aviação”.

Conhecia apenas o chiquíssimo Concorde Restaurant, batizado assim em homenagem ao icônico aparelho, que ficava na Lagoa, Rio de Janeiro, onde jantei durante a lua-de-mel, depois de combinar com meu marido que dispensaríamos bebida alcoólica, só aceitaríamos água e, se o sommelier insistisse, nos declararíamos abstêmios. Estavam lá Ibrahim Sued, Madeleine Saad e seu famoso marido, mais a fina flor da sociedade carioca. Eles, sim, com certeza conheciam o aparelho, mas eu, nunca voei e nem voaria no Concorde. Fora a oportunidade que jamais surgiria, o alto preço de suas passagens apavoraram milionários, quanto mais sapateiros francanos com incipentes carreiras. Tinha o sonho. E o realizei, em parte. Recentemente entrei no Concorde com toda pompa e circunstância, no local de sua fabricação, em Maybridge, Inglaterra, para onde foi levado e preservado para ser visto e acariciado por fãs, depois da aposentadoria. Um clássico. Passeio imperdível para saudosistas.
  

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