Os brasileiros preferem notícias ruins

Por: Mario Eugênio Saturno

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Um estudo recente da Universidade de Michigan, intitulado Cross-national evidence of a negativity bias in psychophysiological reactions to news (Evidência internacional de um viés de negatividade nas reações psicofisiológicas às notícias), publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, e realizado em 17 países, mostrou que as pessoas são mais atraídas por conteúdos negativos do que por conteúdos positivos.

As notícias veiculadas pela mídia de massa fornecem um fluxo de informações entre elites e cidadãos e é um mecanismo importante para democracia. É importante ressaltar que este trabalho sugere que, mesmo que a cobertura noticiosa tenha sido negativa por muitos anos, também tem aumentado nas últimas décadas.

Não são os meios de comunicação de massa que geram as notícias negativas, mas o interesse dos “consumidores” é que demanda por notícias negativas, conforme observou J. Dunaway em 2013. Mesmo quando as pessoas dizem que querem notícias mais positivas, selecionam sistematicamente mais notícias negativas (J. T. Cacioppo em 1999).

O que explica a preferência aparentemente generalizada por informações negativas? Uma tentativa de explicar está na teoria da evolução. A atenção à negatividade pode ter sido vantajosa para a sobrevivência: alertas para perigos potenciais, para o diagnóstico ou vigilância. Diversos estudos mostram que essa negatividade está presente em todas as populações humanas.

Em média, os participantes exibiram maior variabilidade da frequência cardíaca e maior condutância da pele durante as notícias negativas. Mas não foi assim em todos os países. Alguns apresentaram um viés de negatividade estatisticamente menor, e outros, como o Brasil, Canadá, França, Itália e Suécia apresentaram resposta maior durante o conteúdo de vídeo negativo. De qualquer forma, o Brasil não está mal acompanhado.
 

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