Sem amor

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

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Muito jovem, Elídia foi direcionada a um casamento seguro e compensador, na opinião de seus pais, pois o noivo, mais velho e com as finanças nas alturas, lhe ofereceria um futuro promissor. Nos anos 60, as escolhas das mulheres eram restritas e Elídia, sem nenhum amor no coração, seguiu o estabelecido. De uma beleza ímpar, era sensual e esfuziante. Ativa, cheia de vida, ousada para sua época. Quando falava ou sorria provocava suspiros e ais dos homens ao seu redor!

Augusto era elegante, calmo, sisudo, vivia para os negócios, sem deixar de agraciar sua mulher com carinhos e mimos. Foi pensando em oferecer a ela uns dias de lazer que convidou Otávio, um amigo empresário e esposa, para visitarem uma fazenda de café, no interior de São Paulo, onde uma sede confortável e glamourosa os esperava. Passeios pelo campo e conversas animadas a fariam feliz.

Partiram da capital onde moravam e quando Otávio a viu, sentiu uma atração irresistível por Elídia. Durante a viagem seus olhares se cruzaram o tempo todo, sendo os dele de cobiça e os dela, permissivos. Na fazenda, aproximaram-se e encontraram oportunidades de se declararem e de se amarem. Na volta, foram viver juntos, causando dor e humilhação aos seus cônjuges. Durou poucos anos esta união, pois ele foi acometido de uma doença degenerativa, embora fosse jovem.

Elidia o abandonou. Sua alma era inquieta, jovial, queria viver! Mudou- se para Brasília, com todo o potencial de nova capital. Começou a frequentar lugares luxuosos, suas posses a favoreciam e, logo, surgiu um jovem garboso, em início de carreira política com quem ela conviveu um certo tempo. Festas, viagens, bebidas, nada a fazia feliz. Ela, inconstante, incrivelmente bela, pousava como uma fascinante borboleta colorida, aqui e ali, sem saber onde ficar.

O que queria na vida ela não sabia. Às vezes, pensava em procurar seu primeiro marido e pedir-lhe perdão, outras, imaginava-se em outro país, recomeçando a vida, mas sabia que, em qualquer lugar, seu espirito ansioso não encontraria paz.

“Há que ter coragem, Elídia. Há que ter algum sonho correndo nas veias”, seria a sugestão da escritora brasileira, Lya Luft, para ela.

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