Siracusa

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Cidade da Sicília, é imperdível. Para saber o que visitar, onde ficar, o que comer, o que visitar, basta buscar nos mil e duzentos blogs disponíveis na internet. Há quem prefira lojas sofisticadas e odeie o que chama de coisas velhas. Estes, definitivamente, não devem sair de Roma ou Milão. Entretanto quem tem perguntas e busca respostas; quem se deslumbra com o passado; quem gosta de se perder nos becos estreitos de construções anteriores a Cristo, quem gosta de mistério, põe o dedo aqui! Siracusa atenderá sua expectativa, inteiramente. Começa que, ao entrar em Siracusa rumo à Ilha de Ortígia, percorre-se comprida avenida decorada com laranjeiras carregadinhas de frutos amarelo-avermelhados. Há roteiros para visitar a cidade em um, dois, três dias.

Comecei a andar por ali, decidi ficar o resto da vida sentada na magnífica e estonteante Piazza del Duomo construída em pedra branca, em frente à Igreja de onde sai em procissão, carregada por gente de braço forte, a pesada estátua de prata maciça da padroeira Santa Luzia, ou Santa Lucia, no 13 de Dezembro. É templo hoje católico, construção erguida tendo como apoio quatro milenares colunas gregas. Coisa de doido!

Na praça em frente ao Duomo, imensa e luminosa, há bares simples e sofisticados, geralmente com exibição de música italiana, claro. Após a sessão de fotos noivos são homenageados por convidados que os aguardam espalhados pelas imediações ou pelos turistas que antes contemplavam belezas inacreditavelmente feitas pelos homens e interrompem o processo, para cair na alegria geral.

Perto dali, a Fonte de Diana, onde Mussolini instalou seu governo por algum tempo e o Templo de Apolo, ruínas também gregas, protegidas por grades, e cercadas hoje por barracas de africanos que vendem desde botões para camisas, até roupas étnicas de valores e gostos variados. Caso me instalasse lá, como pretendia, visitaria outras muitas fontes, aprenderia a andar de bicicleta para percorrer cada ruela em busca de mais igrejas, museus, praias. Venceria meu medo das lucertole para chegar perto das grades de proteção e contemplar o mar, todas as tardes.

Aos domingos iria à missa no Santuário Madonna Delle Lacrime, mesmo não sendo católica. Há no local aura de paz e tranqüilidade extremamente repousante. Revisitaria cidades próximas como Taormina, Catânia e ainda as barrocas Noto, Modica e Ragusa. Comeria mais vezes sanduíches no Caseificio Borderi localizado no final do mercado da ilha, onde fotografei a banca de verduras. Ah! É importante assistir o chef no preparo de enorme sanduíche – que serve dois ou três clientes – produzido de acordo com sua inspiração do momento. Cada sanduíche é único e sua elaboração é verdadeiro espetáculo que ele interrompe o tempo todo para conversar, trocar idéias, perguntar se o freguês prefere esse ou aquele ingrediente. Vá cedo, porque a fila de espera é impressionante.

Ah! O que são lucertole? Lagartos, que existem só para me fazer descrer que o Paraíso existe e é lá, naquele canto da Itália. 

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