Criando personagens

Por: Eduardo Vilela

Santiago Nasar, Ronio Raskolnikov, Gregor Samsa e Jay Gatsby são imortais. Mesmo com o passar dos anos, eles não foram esquecidos e, por serem tão bem desenvolvidos, conseguiram inclusive superar seus criadores. É claro que nada disso seria possível sem a dedicação visceral de seus “pais”, os autores, que lhes deram vida.

Quando assessoro um escritor que está trabalhando em uma obra ficcional, peço a ele que dedique bastante energia na construção não apenas dos personagens, mas sim de suas almas.

Se você é autor e está com dificuldades para construir os personagens de sua obra, siga comigo neste texto e acompanhe algumas dicas para tornar sua escrita mais densa e criativa.

Imersão no personagem. Quando pensamos na construção de um personagem não basta apenas definir nomes, compleição física e algum traço de personalidade. É fundamental ir a fundo e conhecê-lo mais do que a si próprio. Entender seus conflitos, angústias e os dilemas diante das situações previstas na trama.

Personagem da vida real. Embora a criação seja ficcional é importante que as atitudes do personagem sejam verossímeis a ponto de o leitor se identificar com ele. Para torná-lo humano é fundamental não rotulá-lo de maneira superficial, afinal nem todas as pessoas são totalmente boas ou más. Por isso que nas histórias somos muitas vezes surpreendidos torcendo para os vilões...

Vivencie seu personagem. Não deixe sua criação presa na página do editor de textos do computador, leve o personagem para o seu dia a dia. Um exemplo é imaginar como ele ou ela se comportaria numa reunião importante, na relação entre os colaboradores da empresa em que você trabalha ou até mesmo num conflito familiar. Esse exercício é bastante enriquecedor.

Pesquise muito. Se, por exemplo, seu personagem for um jornalista investigativo é fundamental que você conheça os meandros da profissão. Entender os jargões da área, o dia a dia, a rotina de uma redação e a pressão que recai sobre os repórteres tornarão sua criação muito mais verdadeira.

Ative sua memória.Em uma entrevista, Gabriel Garcia Marques disse que sua memória sempre foi melhor do que sua criação. Ou seja, ele afirmava que suas histórias e personagens fizeram parte de sua infância e juventude. É claro que em seus livros o realismo fantástico tornou essas recordações muito mais poéticas, mas a mensagem do Nobel de Literatura é importante.


 

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