Dia da Mulher

Por: Thereza Rici

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É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separa do homem. Essa frase foi dita pela consagrada escritora francesa Simone de Beauvoir, no tempo em que a mulher ainda estava com seus passos tolhidos pelos preconceitos e autoritarismo de que sempre foi vítima. Hoje vejo que a Simone, uma mulher inteligente e dotada de uma visão além de seu tempo, já enxergava o caminho que as mulheres deveriam seguir para derrubar tabus e se colocar em lugar de respeito no seio da sociedade. E de lá para cá, tenho visto, lido, acompanhado e participado da luta que trava a mulher brasileira, e aqui me incluo, na defesa de seus direitos, na conquista de oportunidades no mercado de trabalho, mostrando sua capacidade, profissionalismo, inteligência, disciplina, coragem e honestidade no desempenho de suas funções em cargos elevados, pois temos mulheres atuando com sucesso no Supremo Tribunal Federal, em governos estaduais, deputadas, vereadoras e um número imenso de médicas, cientistas, juízas, promotoras de justiça, jornalistas, engenheiras, advogadas, além das que exercem profissões de pouca relevância, consolidando a tendência de um aumento sempre para mais, da participação da mulher nos avanços econômicos, sociais, científicos, tecnológicos e políticos do nosso país.

E por conta desse avanço, mulheres tornaram-se independentes. Quando ficam sozinhas, cuidam de sua sobrevivência, auxiliam seus familiares com o seu salário, fruto do seu trabalho.

As estatísticas estão aí informando que nas faculdades de todo o país registram-se, todos os anos, um número cada vez maior de mulheres que ingressam em escolas superiores, mostrando que elas caminham ao encontro de seus objetivos, competindo de igual com os homens, nas mais variadas profissões.

Liberadas da moral ilibada que fazia da mulher dos anos 50 e 60 um ser dependente de pai e mãe, para depois do casamento ser também dependente do marido, seu dono e senhor, hoje a mulher casa, divorcia, casa novamente, amasia, sem que a sociedade a discrimine.

As informações sobre as relações sexuais, que eram um tabu nos anos 50; o ciclo ovular; os cuidados legais para evitar uma gravidez indesejada e a transmissão da Aids estão à mostra nas conversas, palestras, nos programas de televisão, nas revistas trazendo para a mulher tudo que ela deve saber sobre seu corpo.

Apesar de tantas informações, transformações e conquistas, infelizmente temos de lidar ainda com a violência doméstica, da qual dia sim, outro também, temos noticícias de mulheres assassinadas pelos ex-maridos, amantes ou companheiros, crimes violentos que nem sempre são punidos. Medidas judiciais têm sido tomadas, mas acredito que só pela educação do homem esse contexto vai melhorar.

Como se vê, caminhamos muito em busca da realização de nossos sonhos e ideais. Já não estamos mais atrás, mas ombro a ombro com os homens, na luta em prol de dias melhores para o nosso país. E embora a mulher continue mãe e dona do lar, fazendo bolo e guloseimas para a família, conquistou o outro lado da vida, ou seja, liberdade, respeito, admiração e lugar de destaque como membro da sociedade brasileira.

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