O chapéu vermelho

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

407210

Há tempos estava eu a desejar um chapéu de praia vermelho, para usar nas minhas raras incursões a lugares ensolarados como praias, piscinas, beira de rios. Encontrei um, muito bonito, com detalhes em crochê preto, em volta da base, onde se costuma usar uma fita. Era bem original e como estava em Salvador, Bahia, comprei-o imediatamente, pois tinha outra programação pela frente; seria difícil retornar lá.

No hotel, acomodei-o na mala com cuidado e quando cheguei em minha casa, guardei-o no armário à espera de uma oportunidade para desfilar com ele. Vê-se, pois, que era um chapéu de estimação...

No último carnaval, surgiu um convite para irmos a Rifaina, SP, em um aprazível rancho e, com euforia, aceitamos. É um lugar bucólico, com muitas árvores, o verde preenchendo os olhos, trepadeiras de alamandas amarelas encantadoras, acomodação perfeita. Sem chuva, um sol ameno, a água da represa de Jaguara estava convidativa a um passeio de lancha e foi o que fizemos. Coloquei meu chapéu vermelho, tirei muitas fotos e apreciei as ondas brancas espumantes que a lancha formava, com velocidade, singrando as águas. Uma brisa fresca e branda tornava a ocasião muito prazerosa.

Bem no meio da represa, eis que uma aragem mais forte atinge o meu chapéu e joga-o na água! -- Oh, foi o grito geral! Uns mais jovens queriam pular para pegá-lo, o solícito piloto até manobrou a lancha para aproximar-se dele, mas não consenti e todos concordaram em continuar. Conforme íamos nos distanciando, ele foi desaparecendo de nossa visão. Não me entristeci, pensei em comprar outro, na mesma loja, pela internet. Não deixaria que este acontecimento arruinasse o meu passeio.

Continuamos por muito tempo, ainda, observando a infinidade de ranchos, dos mais simples aos luxuosos, e as inúmeras embarcações na água ou nas marinas que faziam o glamour dos adultos e a alegria das crianças.

Retornando para o nosso ancoradouro, qual não foi a grande surpresa, ao avistarmos um ponto vermelho e, quando nos aproximamos, o vimos, o meu chapéu, encostado, mansamente, na margem da represa.

Pode ser que não acreditem, mas no carnaval tudo é fantasia.

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras