Chaplin

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

407212

“Falar sem aspas,
Amar sem interrogação,
Sonhar com reticências,
Viver sem ponto final.”

 

Separados guardo alguns filmes especiais. Chaplin é uma dessas preciosidades. Drama biográfico americano de 1992, dirigido e produzido por Richard Attenborough, tem Robert Downey Jr. no papel principal que dá vida ao gênio do cinema mudo que fez o mundo rir, apesar da violência, horrores, de Hitler, da selvageria que permeou as batalhas das duas grandes guerras mundiais além das profundas mudanças que abalaram as estruturas sociais e econômicas do começo, meio e fim do século passado. Nascido na Inglaterra em 16 de abril de 1889, morreu em Corsier-sur-Vevey, na Suíça, em 25 de dezembro de 1977, casa onde morou após ser banido dos Estados Unidos, hoje transformada em museu que preserva seu legado. São dele os filmes O Imigrante, O Garoto, Em busca do Ouro, O Circo, Luzes da Cidade, Tempos Modernos, O Grande Ditador, Luzes da Ribalta, Um Rei em Nova York, A Condessa de Hong Kong. É considerado, por muitos críticos, o maior ator cinematográfico de todos os tempos e, com os Irmãos Lumière, aparece como um dos “pais do cinema”. Permaneceu no ramo do entretenimento por mais de 75 anos, desde criança nos teatros ingleses, até sua morte aos 88 anos. Juntamente com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D.W. Griffith, em 1919 fundou a United Artist. Compositor, é responsável por obras como Smile e Limelight. Deixou profícuo e invejável legado. O Vagabundo é, provavelmente, o personagem mais imitado em todos os níveis de entretenimento; foi homenageado com sua imagem, em selo postal do Reino Unido; na década de 80, a IBM produziu comerciais com imitador de Chaplin para divulgação de seus computadores; o asteróide 3623, descoberto em 1981, foi batizado Chaplin em homenagem a ele. Uma curiosidade, no filme de 1982, a avó do artista é interpretada por Geraldine Chaplin, sua filha. O Vagabundo, The Tramp, Charlot, Carlitos é andarilho pobre, cheio de salamaleques e maneiras refinadas que, à primeira vista, ignorando-se seus remendos e evidente pobreza, passa por cavalheiro refinado. No filme, compõe sua personagem, numa das cenas mais antológicas e mágicas do cinema. Ele veste fraque preto esgarçado; calças e sapatos desgastados e muito mais largos que seu número; chapéu coco ou cartola e sua marca pessoal, o bigodinho-de-broxa. Não estaria completo sem a bengala ... Coleciona homenagens e condecorações: Cavaleiro do Império Britânico, Légion d’Honneur, Doutor Honoris Causa (Universidade de Oxford) e Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos (Oscar). Martin Sieff, ao elaborar a resenha do livro Chaplin - A Life, escreveu que “Chaplin não foi apenas grande. Ele foi gigantesco.” E, em estudo que compara Chaplin e Freud encontra-se a afirmação de que houve momento no mundo da arte, da ciência e da cultura em que os dois nomes brilhavam acima dos outros. O primeiro, teria o rosto mais familiar e admirado; o segundo tinha a mente mais brilhante. O homem atrás do personagem desengonçado, tinha mente muito lúcida. Contou nas suas memórias que cada uma das características que constituíam a fantasia do seu personagem tinha um significado. Suas calças eram um desafio para as crenças sociais. O chapéu e a bengala tentavam mostrá-lo como alguém digno. E o pequeno bigode, demonstração de vaidade. Suas botas representavam obstáculos que enfrentamos todos os dias no nosso caminho. Lembrei-me de Chaplin porque fui ao Circo Tihany e me deslumbrei com a magia impregnada nas lonas, nas cadeiras, nos artistas, no espetáculo em si.
 

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras