'Negocim' de Turco

Por: Paulo Rubens Gimenes

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Mappin, Remington, Kodak, Buri, Helena Rubisnstein, Dulcora, Ping Pong, Fatos & Fotos, Desenhocopy, Telefunken, Varig, Kichute, Soft, Cinderela, Don Paco, Catalina, Lâmina de Ouro e Tupi. Se você já tem mais de meio século de vida com certeza se lembra da maioria destas marcas que, fortes no passado, hoje vivem apenas na lembrança de saudosistas como eu.

Já dizia aquele poeta: “a Natureza é isso - sem medo, nem dó, nem drama...”, ou seja; marcas e produtos, assim como as pessoas, nascem, crescem e morrem.

A história é antiga mas de alguma maneira pode ilustrar o “começo do fim” de uma grande marca. Corria a década de 1950 e, como computadores hoje em dia, máquinas de costura eram item obrigatório em qualquer residência na Franca do Imperador.

A Casa Única, do imigrante sírio Abdo Bittar e filhos, era uma das lojas francanas onde este indispensável aparelho doméstico podia ser encontrado. As máquinas de costura Singer eram as melhores e mais famosas e por isso, preferência absoluta das donas de casa.

Apesar do sucesso de vendas da Singer, o aparecimento de uma concorrente que poderia proporcionar maiores lucros despertou o faro de “bom negócio” tradicional da raça e Sr. Abdo tratou de substituir todo seu estoque de máquinas Singer pela novata Crosslay e, munido de talento e coragem, começou a vender a novidade.

Mas a clientela não estava “sintonizada” com os novos ares e marcas explorados pela Casa Única e então uma freguesa disparou:

- Quero uma máquina de costura, mas quero Singer. Prontamente, Sr. Abdo responde com seu carregado sotaque:

-“Corazon, sinto muito, mas aqui não trabalhamos com marcas desconhecidas...”

Alheio a questões filosóficas, Sr. Abdo fechou mais um “negocim”.

Suspeito que foi neste momento que a gigante Singer começou a ruir.

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