Nadica de loucura

Por: Ligia Freitas

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Liguei no sanatório mais próximo

Disseram que estava tudo ótimo

Melhor do que com os homens de negócio

Lá daquele troço

 

Enfim, cheguei em casa

Nem saí, quer dizer

Fui ali

Na sala

Brigar com o marido

Ver o vizinho da janela

Bater panela

Abrir a geladeira 

E ver o que tem no fogão

 

Lembrei-me que era boa das vistas

Não acreditava em encarnação

Sujeira na parede

Odor de sabonete

Broche de ametista

 

Nem sabia que carregava uma lupa

A tiracolo

Pau pra toda obra

Que transforma choro em rio

Raiva em puta que pariu

Descontrole em “a casa caiu”

 

Descobri no fundo do baú uma ampulheta

Enferrujada que só ela

Coloquei na cabeceira da minha cama

Para ver se o tempo de cima escorre logo pra baixo

Nada, nadica, nem uma virgulinha

Pera, parece que uma partícula de areia desceu

 

Passaram-se 40 dias ou foram dois anos?

Que ampulheta desgraçada

Encurralou meu tempo dentro de casa

O que mais ela quer de mim?

 

Chega de descobertas

Quanta tempestade num copo d´água

Posso ao menos descer as escadas

Ou tenho mais alguma tralha para encontrar?

 

Basta, não me venha com chorumelas

Uma bússola estragada

Tira isso da minha frente

Eu não tenho cabeça de demente

Pelo amor de Deus

Me leva pra casa

Tô perdidinha

O quê, a minha casa é aqui?

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