Quarentena 5

Por: Luiz Cruz de Oliveira

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Não havia vizinhos. Afora semana de Lua Cheia, o terreiro e o quintal ficavam às escuras. Então, inventávamos atividades.

- Vamos brincar de esconde-esconde?

- Vamos.

Alguém cobria os olhos com as mãos, contava até dez, ou até cinquenta, saía à procura dos outros, que tiveram tempo para se esconder.

- Achei! É a Catarina debaixo da cama da mãe.

- Não vale, você viu (em verdade, “num vali; cê viu”).

Divertíamo-nos.

Estou detestando é esta brincadeira de agora. A cama é moderna, não sobra espaço sob ela para me esconder. O guarda-roupa, as portas são óbvios demais. O forno é pequeno em demasia, não me cabe. E este vírus inoportuno insiste na brincadeira de pega-pega.

Ah, saudades de eu menino.

 

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