- último futuro -

Por: Mirto Felipim

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(a sombra não indica apenas a escuridão iminente)

 

um canto

talvez nem seja possível

tanto silêncio contido

 

no grito

corações soltos contritos

tanta palavra jogada

 

na farra

de nossos corpos proscritos

somos angústias de taras

 

no ar

tanta luta inútil

tantas folhas rasgadas

 

no fútil

de um sorriso vistoso

a sútil intriga desenhada

 

na tenda

dos desencontros marcados

a lucidez de uma venda

 

do morto

exposto tal qual raridade

o lampejo do peso da idade

 

no futuro

amaros serão nossos filhos

gerando bizarros bastardos

 

sombrios

qual o refúgio de um rio

de lamentos

dos quais somos rebentos

seguiremos

o grito do último navio.

 

     ... chega ...

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