... e daí?!?

Por: Maria Luiza Salomão

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Tudo é nada, hoje. Estou só, mas irmanada. Não com todos. Há quem nunca estará comigo: nem sei saber quem, talvez prá quem não sou ninguém. 

Estou só, mas animada. Desanimo em momentos, mas chega sempre alguém que diz: eu também. Não só diz, me dá a mão, me dá uma palavra. Uma só palavra e me salva. A minha alma saúda e abraça e lamenta e ri. Ri sim, porque sofrimento ecoado dói menos, alivia.

O lamento – ouvido - pensa a ferida delicadamente: não rebate, ressoa. Quem me ouve me abriga e quando a ouço me recolhe. Uma ponte delicada/forte sustenta o sentir junto.

Horror é a erosão do ódio no cimento alargado da ausência de empatia. Crueldade sem alegria. Nem sinto solidão, mesmo aqui, de corpo fechado/apartado. O que dói, de fato, é reconhecer almas irritadiças, de fanatismo apartadas. Estas que mentem, atacam, destroem.

Destas, não sou irmã. Venho de outro continente. Estas amam guerras, conflitos, escaramuças, políticas menores, falam línguas mortas, línguas que não querem se fazer entender, que usam línguas para confundir, idiossincráticas, talhadas para excomunhão.

Dizem - e daí? - para o que não se responsabilizam; pensam saber tudo e dizem - e daí? - para o que não dominam, querem ignorar. Dizem – e daí? – nada sentem.

Destas me aparto para sobreviver.

Não fui/sou/estarei sozinha pois a tudo estou ligada: aos mortos e vivos; aos que falam/ ouvem/veem. Tudo me concerne, me é necessário, tudo me toca - é aqui! – no lado esquerdo do peito. Dentro do coração, da alma brasileira.

SE nada será visto/sentido/ouvido no mundo que as rodeia - almas penadas ditas cristãs;

SE nem a Morte lhes sensibiliza mais do que se sentirem coronadas, procuradoras de um reino que não lhes pertencem;

o que responder ao virulento – e daí?

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