Amor cotidiano

Por: Ligia Freitas

408705

Era um dia comum, o coque descabelado entregava o meu cansaço, as sacolas do mercado no chão ocupavam metade da cozinha, eu me deslocava de um lado para o outro para a organização dos alimentos no armário, foi assim que vagarosamente ele chegou, limpou meu suor do rosto com os dedos, me envolveu pela cintura, e eu jamais, em tempo algum, imaginei que ali na casa mais humilde que já moramos até hoje, na tarde mais discreta de todos os tempos, eu viveria um dos dias mais importantes da minha vida. Foi ali no cotidiano do arroz com feijão, no cheiro azedo do dia a dia, que ele calçou uma aliança em meus dedos. Não precisou de muitas palavras, não fez declarações de amor, serenatas ou prometeu o infinito, exatamente por isso eu disse sim e digo até hoje. É pela simplicidade que ele me cativou, pelos olhos verdes profundos de quem conversa com a alma.

Hoje celebramos cinco anos de casados, criei uma expectativa, aguardei-o me presentear com o melhor que ele podia, e ele o fez: aconchegou-se em meu ventre e beijou nós dois (barriga) como se fôssemos um só, e me disse tanto com os lábios molhados e firmes, como quem os fecha com a intenção de se expressar.

 

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras