Celeiro do amanhã

Por: Ligia Freitas

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Jogar luz sobre as mães em tempos de crise da humanidade é resgatar a própria raiz da história, celeiro do amanhã, é enxergar no compasso tranquilo e acolhedor do ventre  a moradia mais digna de uma nova reta de pertencimento, é reconhecer na Mãe Terra olhos d`água profundos por lastimar a desunião entre os filhos, fruto do individualismo, é perceber que numa jorrada de vento pandêmico o universo devolve todos os mortais ao mesmo lugar, à origem de tudo: A Casa. A casa física, a casa espiritual, a casa emocional, a casa materna, a casa que também é balburdia, desordena, incendeia, a casa, a casa.

A folha do caderno sujou, a página rasgou: devolve, começa novamente, pegue uma página em branco, renasce fênix, retorna para o ventre, fecha para balanço, dependura o traje de ontem, repousa o cérebro na bandeja da sala, debruça o peito no parapeito da janela, e espera, garante o instante que lhe foi dado, o aconchego do próprio corpo, levanta, olhos para o alto, não temer a si mesmo, dispensa o sobressalto, para, inspira, expira, quem conhece a sua respiração?

Às mães solos, às mães com filhos pequenos, com filhos grandes, à mãe Terra, à Mãe Maria, à minha Mãe, à luz que emana das asas, C-asas.

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