FAKE NEWS

Por: Maria Luiza Salomão

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Por que expressão em inglês para o que se poderia chamar fofoca?
 
Palavra que desencadeia violência. Notícia que se transforma em granada, bomba, fumaceiro.
 
Boato é publicidade.  Fuxicar para denegrir, assassinar a alma de alguém. Tagarelar para criar racismos. Sadismo oportuno para acabar com a vida de alguém.
 
Mexericar para espalhar atmosferas, plantar inimigos. Enredos de morte, vinganças canhestras. Incentivo à guerra.
 
Criar zun-zun para não se pensar, confundir o que é importante com o que é cascalho, nonada, que não leva a crescimento algum. 
 
Fomentar noticiários com chocalhices, como “o filho de não sei quem (rico) precisa de ajuda de 600,00 do governo, verba destinada a quem está pela “bola 7”.   Ou “quem é de esquerda toma tubaína, e quem é de direita toma cloroquina”.
 
Ruge-ruge: ninguém discrimina o que é, como é, quando é. 
 
Estamos em uma pandemia, em curva ascendente aguda de mortos e temos que escutar urdimaças, é de filho, é de outro, e ainda outro, e o pai reinando.
 
Boateiros, fazendo voar - zap zap zap -  triscas para incendiar tudo, e todos.   
 
Linguarazes financiados, a  propalar ódios, em uns, descrença em outros.
 
A grande questão – o que é a verdade?  Perguntava Pôncio Pilatos a lavar as mãos, permitindo que a turba celerada matasse um inocente. Política,  atravessando séculos.
 
A grita encrespa uma multidão sedenta de sangue, voraz para ver o pau comer, como se não tivesse responsabilidade, como que indiferente às consequências do pandemônio.
 
E... morrem brasileiros, de norte a sul, da costa ao sertão, no meio da mata, em apartamentos minúsculos.
 
Quando acordaremos do sono mortífero?
 
Linguarudos em churrascos, farreando em jet-ski, fomentam dúvidas, pressionam juristas. No escuro se trama, nos subterrâneos se faz lama.   
 
A caravana segue, o povo aclama, o povo reclama, o povo inflama, o povo se acama.  

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