Pride & Prejudice

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Mães conhecem preferências das filhas e a recíproca é absolutamente verdadeira. Em 1995, a  filha recém-mudada para a Inglaterra, comenta com a mãe, durante conversa informal pelo telefone, sobre vídeo da BBC recém-lançado no mercado inglês, chancela absolutamente confiável para grandes produções.  “Você vai amar!”, garantiu.  No encontro entre as duas, que se deu alguns meses depois, a filha posicionou a mãe diante da televisão e pôs para rodar o VHS Pride & Prejudice, que trazia uma das muitas versões que o livro homônimo de Jane Austen teria pelo tempo . A filha foi trabalhar, voltou do trabalho, a mãe não interrompeu a projeção. Viu a minissérie praticamente em um dia, que começou cedo e só foi terminar quase dois dias depois. Ao terminar, estava firmemente convicta de que seu sonho não era mais entrar no Buckingham, mas conhecer Colin Firth, ator que faz Mr. Darcy Fitzwilliam. (Ela já visitou o palácio, mas não conheceu pessoalmente o ator, embora já tenha visto praticamente todos os filmes que ele protagonizou.  A trama, dizem, faz parte da história da própria Jane Austen. De certo é que descreve cenas e costumes da época em que se desenrola a trama; mostra como era a vida dos moradores do interior inglês e, literalmente, o orgulho e preconceito que permeavam a vida dos cidadãos daquela época.  Em 1797, o  pai de Jane Austen tentou publicar a novela, que tinha por título First Impressions, mas somente em 1813 é que o livro foi impresso, em três volumes, já com o título definido e definitivo, Orgulho e Preconceito. A versão mais famosa é aquela de 1995, mas em 2005 aparece nova e excelente produção da imortal trama criada por Austen, em filme no qual Keira Knightley e Matthew Mcfadyen dão vida ao apaixonante casal. Existem, porém, outras produções fantásticas, do cinema e do teatro, ao longo de quase duzentos anos, para provar o quanto rende uma boa história.  Geer Garson e Laurence Olivier, em 1940, foram Miss Elizabeth Bennet e Mr. Darcy Fitzwilliam, por exemplo. A história de Elizabeth e Darcy possui muitas outras versões, entre as quais destaca-se o musical bollywodiano , onde  Elizabeth se chama Lalita e é indiana,  mas Mr Darcy conserva seu charme, seu nome e nacionalidade. São muitas as referências a Bath, nos livros de Jane Austen, cidade do sudoeste inglês localizada no Condado de Somerset,  onde ela morou por algum tempo, cheia de jardins e locais nos quais ela passeava, que são constantemente referidos nos seus livros. Pode-se visitar lá o Museu de Austen, locado na casa onde ela teria morado e até teria escrito um de seus livros. A cidade também é citada em dois de seus romances Persuasão e Northanger Abbey.  Autora aplaudida e amada pelos ingleses, Jane Austen é leitura obrigatória dos estudantes ingleses do curso médio e tema de inúmeras dissertações entre os alunos dos cursos mais avançados. O túmulo de Jane Austen está na Winchester Cathedral, cerca de uma hora de trem, de Londres. Nesta cidade a escritora passou suas últimas semanas de vida e ali escreveu o poema Winchester at the Races. A ilustração é a capa da nova edição de Pride and Prejudice, de 2019. Duzentos anos e a história continua emocionante, delicada, deliciosa e supreendente...

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