Carlos de Assumpção, o Ogum...

Por: Felínio Freitas

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Guerreiro
debochado
Atento.
O menino de 93 anos
No auge com a palavra, com o gesto, com a poesia, com o afeto...
O Ogum que cruza oceanos para dialogar com Brasil d’antes, d’agora e de um possível depois.
O Ogum digital distribuindo cartas e mandados poéticos contra a insensibilidade do mundo.
O Ogum menino que chora ao ver o mundo pegar fogo, ao ver a lama escorrer derrubando casas e sufocando gente, ao sentir um irmão ou irmã preta morrer...
Ele chora rios de palavras, chora beleza, grito, raiva, fúria...
Um lamento que fura ouvidos e repousa nos corações sensíveis.
Ele é Ogum acalanto, com cheiro de alecrim e arruda.
O Ogum erê que vadeia no quintal e observa o namoro dos sabiás-laranjeira,
O Ogum que senta na esquina e admira estrelas...
Ele é silêncio,
Ele é encanto,
Ele é Ogum no baile distribuindo sorrisos e vestindo uma armadura banhada a ouro...
Ele tem a força do fogo forjando o ferro.
Ele é paridor de palavras,
O Ogum de ronda, que corta, que abre caminho,
Ogum resistência, do afeto contra a maldade...
Ogum, Ogunhê...Carlos de Assumpção!
Ele está pronto pra Guerra!
Ele não parará de gritar!

Franca, janeiro de 2020.

P.S: escrito após observar junto ao seu Carlos o canto do Sabiá no pé de Jabuticaba de sua residência e num dia de sol.

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