Castel del Monte

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Se a Itália tem formato de bota, a Púglia está no lugar do salto desse calçado... Região sem muitos turistas estrangeiros é banhada de um lado pelo Mar Adriático e de outro, pelo Mar Jônico. Possui, ao todo, 800 km de costas banhadas por águas cristalinas. O encontro dos dois mares que a banham pode ser visto de um ponto entre Galipolli e Otronto - duas cidades do sul pugliese. Numerosas civilizações marcaram sua história: gregos, romanos, bizantinos, árabes, normandos, suecos e aragoneses. A Púglia não faz parte do roteiro clássico dos viajantes que procuram a Itália. Mas é pródiga em exibir castelos medievais e barrocos, praias deslumbrantes, pequenas aldeias históricas que guardam tesouros, obras–primas de artesanato, e muita história. Praticamente todos os caminhos, que levam de surpresa a outra, são cercados por oliveiras estonteantes e antiqüíssimas que escondem segredos nas sombras projetadas sobre o solo arenoso e acolhedor. No calcanhar da bota, como se fosse um esporão, encontra-se o Promontório de Gargano e pouco abaixo dele, está Andria, comuna da província de Barletta-Andria-Trani. E é ali que se encontra o Castel del Monte, sobre cinematográfica colina. Sua visão, ao longe, ao aproximarmos dele, é de tirar o fôlego. Apaixonada por cinema, dois momentos durante o filme Mulher Maravilha prenderam minha atenção. Um deles, quando a então menina maravilha ao presenciar luta entre a mãe e inimigas numa praça está prestes a cair do muro de proteção da cidade imaginária de Themyscira: a cidade é Sassi di Matera, na Basilicata, província vizinha da Puglia. A outra cena, foi filmada no Castel del Monte, e mostra o espaço de seu interior, onde a espada God Killer é mantida. (Foi este o motivo da inclusão das duas cidades no roteiro de viagem daquele ano, confesso.) Castel del Monte é misteriosa construção atribuída ao Imperador Frederico II, da Suécia. Fica sobre colina com vista para a Murgia de um lado e para o Mar Adriático, de outro. Tem forma irregular, com planta e torres octagonais. A Itália é o país campeão de construções e locais da lista de Patrimônio da Humanidade e o Castel del Monte é um deles, desde 1996. Belíssimo, do ponto de vista da arquitetura medieval, tem aura de mistério. Foi construído durante a década de 1240, pelo Imperador Frederico II, da Suécia, que herdara as terras de sua mãe, Constança, da Sicília. Inteiro de pedras, não tem salas, quartos, janelas, varandas, cozinha, nenhum cômodo que sinalize função de residência. Pode-se subir até o alto de suas torres, por escadas de degraus baixos, curtos e gastos pelo tempo. Não tem fosso, nem pontes levadiças, nem parece ter sido construído como fortaleza defensiva. Sabe-se, porém, que mármores e alguns móveis foram removidos do seu interior no século XVIII. Frederico II, empreendedor, também foi responsável pela Constituição de Melfi; por promover o encontro entre cristãos, hebreus e muçulmanos; foi fundador da escola siciliana de poetas e música e da primeira universidade laica de Nápoles. Dizem que o Castelo está habitado, como no passado, por fantasmas alguns brincalhões e outros nem tanto, que também assustavam Frederico. Dizem que Frederico se divertia quando lhe perguntavam sobre o formato estranho de sua construção, ao responder: “Il mistero di Castel del Montenon lo svelerò maiForse un giorno scoprianno perchè gli ho 





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