Nó, nós.

Por: Maria Luiza Salomão

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Livros dificílimos que li! 

 

Ensaio sobre a Cegueira, 1995, José Saramago. Continuei firme com o Ensaio..., náusea até fechar o livro. Mas quantas boas reflexões, importantes para esta pandemia, sobre o que é o coletivo, a mentalidade: o forte em Saramago. O filme, homônimo, na direção de Fernando Meirelles, está mais light.  

 

Parei depois de dois terços da leitura de O remorso de Balthazar Serapião2006, prêmio Saramago, 2007. Não suportei! Muitos meses depois, tomei-me de coragem, e continuei. Cativada pela personalidade de Valter Hugo Mãe, estudei a obra para o Degustação Literária. Com proveito e gratidão. 

 

Nos dois livros: nó fechado de angústia, meu-deus-me-acuda-de tanta-barbárie!  

 

Tentei ir até o fim com Precisamos falar com KevinLionel Schriver, 2003. Ele me olhava toda noite da mesinha de cabeceira. Ficou ali a me esperar. Nó cegoVi o filme; mais palatável que o livro, mas era violento demais! Ainda não consigo terminá-lo.  

 

Quase desisti de ver um filme, recentemente –  O Poço : colocava as mãos no rosto, evitando ver, mas fui até o final. Bambeei os fios do nó em mim e fui.  

Noticiários, ultimamente, são nós complexos. Fios do Bem e do Mal amarrados. Sadismo, racismo, fascismo, nazismo. Fenômenos sociais em gestos/ações/piadas/roupas/músicas/cabelos/tuítes/posts/vandalismo.  

 

Palavras/ palavras/ palavras doidas e doídas, poderosas, agressivas. Que dão nós no entendimento. Sobejantes de superioridade de alguns em relação a outros, a definir categorias: eleitos/desprezíveis; invencíveis/ perdedores; heróis/ralé; colonizadores/colonizados. Nós versus eles. 

Que horror essas misérias humanas! Humilhações. Destrutividade. Dinheiro/religião/cor-da-pele definindo categorias de gentes. Gênese de guerras, ditaduras, genocídios.  

 

Há mãos que curam e mãos que matam. Os que escrevem ficções, mentiras aparentes, tentam curar: dizem verdades. Doidas, doídas, pois  

que retratam o óbvio que quer ser negado.  

 

Alguns andam escrevendo/recriando realidades, destroem histórias/memórias: falseiam maldades. Doidas, doídas, pois que camuflam o óbvio visível, negando. 

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