Devaneio hipócrita

Por: Ligia Freitas

410052

 cansada do politicamente correto 

Pisou na linha verde-calada 

Na linha amarela-levante os braços 

Na linha rosa- vai ver se eu  na esquina 

Na linha roxa-xinga de trouxa 

Na linha branca- se abrir a boca desmancha 

  

E assim a costura da vida não perde a linha 

Amizades terminam 

Brigas começam  

Famílias discutem, desquitam, aniquilam-se 

Por quê?  

Porque eu uso a minha régua nos relacionamentos 

Só a minha, com as minhas medidas 

Eu sou dona do nosso bordado 

Você não cabe nele eu descarto 

Sangrando, mordendo, corroendo por dentro 

Mas eu o faço 

 

Nos entroncamentos humanos também uso a minha balança  

Os pesos eu mesma amordaço  

Você não tem peso algum comigo 

Ele tem, se tem... 

Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três 

Vendido um ser humano 

 

Minha língua é melhor que a sua, fazer o quê? 

Eu sei, eu sei, eu sei 

Você 

Se desconhece a minha tribo 

É inimigo 

Quer pão com mortadela? 

Vem cá, pobrezinho quer tirar uma foto com esse amigo? 

Preto veio, pega na minha mão 

Hoje é dia de pão e circo 

Virei palhaça, 





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