No dia nacional do escritor

Por: Karina Gauderetto

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Já definido pelo icônico e um dos mais populares escritores brasileiros, Jorge Amado, "o escritor é um aprendiz do seu ofício até que deixe de escrever". A escrita tem o papel de emocionar, impactar, instigar e levar o leitor à reflexão. Mas, sobretudo, o ofício tem um papel transformador no âmbito cultural e educacional. Para homenagear essa nobre atividade, o escritor baiano Jorge Amado, junto com o escritor potiguar João Peregrino Júnior, declarou, em 1960, o dia 25 de julho como o Dia Nacional do Escritor. Na época, ambos integravam a presidência da União Brasileira de Escritores e criaram o Festival do Escritor Brasileiro. A data foi, inclusive, oficializada pelo Ministro da Educação. Jorge Amado foi responsável pelos romances mais marcantes da literatura brasileira, como Capitães de Areia (1937), que retratou a vida de menores delinquentes da Bahia e, mais tarde, foi apreendido pela censura do Estado Novo; Gabriela, Cravo e Canela (1958), cuja obra se transformou em uma das novelas mais aclamadas no Brasil; Dona Flor e seus dois maridos (1967); Tenda dos milagres (1970) e outras obras que foram adaptadas para o audiovisual e mesclavam humor, sensualidade e fantasia. O escritor baiano foi homenageado, em 1984, com o Prêmio Fundação Bunge, primeira iniciativa da Fundação Bunge que, desde 1955, tem o propósito de incentivar a inovação e a disseminação do conhecimento. Onze anos antes de Jorge Amado, o gaúcho Érico Veríssimo, autor de O tempo e o vento (1949-1962), adaptado para o cinema, em 1972, também foi homenageado. O documentário Terra de Érico, que retrata a vida e obra do escritor gaúcho, foi produzido pela SAMRIG (antiga empresa Bunge) em 1985, no aniversário de 80 anos do escritor. Junto com o documentário, foi lançado um relatório com o mesmo título, que continha textos, comentários e fotografias em homenagem ao autor. Em 64 anos, o Prêmio Fundação Bunge já homenageou mais de 20 escritores brasileiros, entre eles, Alceu Amoroso Lima, em 1959, representando a reflexão madura de novas tendências poéticas à época; o pernambucano Manuel Bandeira, em 1966, que se tornou um clássico entre os poetas modernos, com uma trajetória que abrange da musicalidade difusa do simbolismo às experiências da poesia espacial e concreta; e escritoras como Rachel de Queiroz, em 1996, a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras; e Hilda Hilst, em 2002, cujo arquivo pessoal foi comprado pelo Centro de Documentação Alexandre Eulálio, do Instituto de Estudos de Linguagem (IEL) da Unicamp em 1995 e encontra-se disponível para pesquisadores do mundo inteiro.

 
Em 2018, a jovem escritora de apenas 14 anos, Nina Krivochein, foi contemplada na categoria "Juventude" por seu trabalho em prol da literatura Infantojuvenil. Sua primeira obra, A vaca que não gostava do pasto, foi escrita aos seis anos e adotada como material didático para alfabetização de alunos do ensino fundamental de escolas públicas no Brasil. Na mesma edição, Daniel Munduruku, autor de mais de 50 livros que destacam e preservam a cultura indígena, também foi o premiado na categoria "Vida e Obra". Descendente do povo indígena Munduruku, um dos mais de 300 povos indígenas espalhados pelo Brasil, o escritor é reconhecido por seus leitores, professores e bibliotecários como um dos principais autores de literatura indígena para crianças e jovens. A história dos 64 anos da premiação e todos os premiados na área de Letras, de Jorge Amado e Hilda Hilst à nova geração como Daniel Munduruku e Nina Krivochein, podem ser encontrados no acervo do Centro de Memória Bunge, bem como o documentário Terra de Érico. O local possui um acervo com mais de 1,5 milhão de títulos de mais de um século de história. A Fundação Bunge, entidade social da Bunge no Brasil, há mais de 60 anos atua em diferentes frentes com o compromisso de valorizar pessoas e somar talentos para construir novos caminhos. Suas ações estabelecem uma relação entre passado, presente e futuro e são colocadas em práticas por meio da preservação da memória empresarial (Centro de Memória Bunge), do incentivo à leitura (Semear Leitores), do voluntariado corporativo (Comunidade Educativa), do desenvolvimento territorial sustentável (Comunidade Integrada) e do incentivo às ciências, letras e artes (Prêmio Fundação Bunge).

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