Poema para um jovem poeta

Por: Baltazar Gonçalves

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Não apresse o passo mais que possam suas pernas suportar

e repare: o mundo tem pressa mas não vai a lugar algum.

Tenha os pés firmes na própria história como as raízes do manguezal

que embora aéreas estão no barro sobre a água salgada do mar.

 

A paisagem muda, os homens mudam. Tudo estava antes de nós.

Como dizer fique atento para quem chega com pressa de ir embora?

Tome tento e vá a seu tempo, o jeito de olhar as coisas está mudando.

 

Encare o véu sobre o curso da infância e seus inumeráveis afluentes,

é no percurso do vir a ser que reconhecemos o que seremos.

Saiba que gente é fato histórico construído a partir do que se tem,

além do que se pensa a dobra no tempo é vastidão incompreensível.

 

Serene a mente, leia o discurso com cuidado,

o homem NÃO é a medida de todas as coisas;

o terror ditado vem há muito tempo repetido.

 

Não se limite quando a vida pede compaixão.

A conjuntura muda, tudo muda e permanece.

Não exija de si mais que deixar-se mudar

fiel ao princípio que o trouxe até aqui.

 

É preciso reparar na insuficiência da linguagem,

a palavra abre campos fechando estradas.

Tenha coragem para aceitar o que não muda

e força para mudar o que preciso for

mas não descuide da prepotência da razão

que abarca menos que a sabedoria aponta.

 

Há muito esquecidas no guarda-roupa da humanidade

estão a HONESTIDADE e a HUMILDADE;

repare nos sentidos petrificados e sinta com paixão.

 

Por fim, não se cobre demais e seja honesto e sincero

na medida em que deseje honestidade e sinceridade;

ser verdadeiro consigo é bom lugar de encontrar paz.

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