Auto Exílio

Por: Maria Luiza Salomão

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Passaram-se 122 dias e noites de um isolamento que pretendia, pretende ser coletivo. A mim tem me assustado ver quem não se assustou, e não só frequenta bares, não usa máscaras, como ainda ofende e briga com fiscais – guardas – nomeados para salvaguardar a lei municipal.

O que acontece com a população que tem transgredido sinalizações básicas em uma pandemia? Quando se assiste na TV inúmeros países que passaram, ainda passam, tantos perrengues, quando se anunciam mais de 80.000 mortes por todo o Brasil? O número de leitos e respiradores diminuindo drasticamente em cidades pequenas, e nem assim toca um grupo de pessoas para a gravidade da situação.

Tem o efeito do exemplo do presidente, que não usava máscaras, que saía pela cidade, desautorizando seus ministros da saúde, a falar sobre a importância do distanciamento social. Mas não podemos ser simplistas, há um grupo de seguidores religiosos do presidente, fanáticos, mas temos que pensar que este fenômeno tem raízes mais fundas, algo muito grave está sendo desvelado com a pandemia. Não somente a desigualdade social, não somente o racismo, mas algo além.

Pessoas supostamente inteligentes e bem informadas também estão transgredindo o bom senso, desconsiderando pesquisas e negligenciando medidas práticas de autoproteção à Vida. Claro que há fatores subjetivos importantes para ações individuais, mas o que se vê é um efeito multiplicador – praias, shoppings, carros, as cidades não pararam, como vimos na Itália, Portugal, Espanha.

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