Meu Pai

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Meu pai me deu a mão e me ajudou a encarar o mar à minha frente.

(Nenhum maremoto me aterrorizará, enquanto tiver essa lembrança.)

 

Meu pai disse “Não tenha medo! Vá em frente!”

(Enquanto o som de sua voz estiver na minha mente, terei coragem.)

 

Meu pai demonstrou como cuidar das minhas sementes boas e das nem tanto assim.

(Disse: “O plantio é livre, a colheita é obrigatória.”)

 

Meu pai me ensinou a andar de bicicleta.

(“Equilíbrio! Observe os limites! Sinais! Caiu? Levante-se!”)

 

Meu pai me ajudou a atravessar ruas e pontes. E avenidas. Da vida e de cidades.

(“Atenção! Você é a principal responsável por sua segurança!”)

 

Meu pai provou que os segredos estão explícitos na natureza.

(Todas as coisas vivas nascem, crescem, se desenvolvem e morrem.)

 

Meu pai revelou-me o segredo da perseverança.

(Diante da dificuldade acalme-se. Respire. Continue. Tente outra vez.)

 

Meu pai me preparou para ofensas, agressões e consequentes dores.

(Não revide. Quem ataca é covarde e medroso, por isso agride. Tenha compaixão.)

 

Meu pai me motivou a crescer e ser independente.

(Tudo está conectado. Mantenha seu eu intacto e autônomo. Preserva-o.)

 

Meu pai me deu diretrizes para buscar o caminho da autonomia de pensamento.

(Escute e siga com atenção a orientação que vem de sua própria alma.)

 

Meu pai se preocupou em mostrar-me como escapar da amargura.

(Você é a única responsável pela presença da alegria em sua vida.)

 

Meu pai revelou-me o segredo dos relacionamentos.

(Seja sincera. Seja tolerante. Seja paciente. Aprenda a perdoar.)

 

Meu pai me ajudou a subir em árvores;

Deu-me a mão para levantar sempre que caí;

Disse-me para não temer o escuro das noites,

garantindo-me o amanhecer.

 

Meu pai se foi muito cedo, talvez contra sua vontade.

Deixou saudades, muito mais lembranças;

Além da certeza e garantia que ninguém mais me amaria tanto,

apesar dos meus defeitos.

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