São Miguel Arcanjo

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Foi viagem de descobertas e surpresas. Valeu insistir na Puglia, região da Itália ainda ignorada por turistas e viajantes que mantêm seus olhos sobretudo na Toscana, Liguria, Lazio, Veneto e Lombardia. Verdade, ninguém pode comprar a felicidade, mas pode comprar passagem para visitar a Itália, que é quase a mesma coisa. E quando o viajante desce olhos e malas pela  Campania,  descobre o Sul do país, vai até a Sicília, percebe que valerá a pena dar meia volta, conhecer a Calábria, Basilicata e entrar pela Puglia.  A Itália tem formato de bota, o salto corresponde à Puglia.  Banhada pelo Adriático e pelo Mar Jônico, encontram-se cidades fantásticas construídas por povos muito antigos, estradas que serpenteiam precipícios de tirar o fôlego, culinária rica e diversificada, praias fantásticas, locais de banho nas grutas e muitos, de devoção. Povo tranquilo e religioso. Terra de peregrinação a dois lugares santos -  a igreja onde está enterrado o santo Padre Pio e a gruta localizada no Monte Gargano onde, em 25 de Setembro de 1656, São Miguel Arcanjo, o poderoso santo católico, apareceu a fiéis e pediu que o local fosse dedicado a ele.  Meu fascínio pela saga do Santo teve início enquanto pesquisava e preparava a viagem, com a descoberta da linha reta e misteriosa que une 7 santuários dedicados a ele. Com início na Irlanda, o primeiro santuário é o Skelling Michael, conhecido dos amantes da saga Guerra nas Estrelas, popularizado pelo cinema, porque é o refúgio de Lucas Skywalker, no alto do penhasco, onde ele se esconde dos vilões. O segundo santuário está numa pequena ilha da Cornualha: segundo a lenda, São Miguel teria falado, neste local, a um grupo de pescadores. O terceiro, é o popular e visitado Mont Saint- Michel, na entrada da França, também construído numa ilhota, que se junta à terra firme, quando a maré está baixa. O quarto santuário fica sobre enorme rocha do Vale de Susa, na Itália, região de Piemonte, nas cercanias de Turim, construído em algum ano entre 983 e 987, que se encontra em recuperação e restauro após incêndio que quase o destruiu. Mais mil quilômetros em linha reta e se chega ao Monte Gargano, na Púglia. Numa caverna de acesso muito difícil, encontra-se o quinto santuário dedicado a São Miguel, de construção iniciada no distante ano de 490, ano que marca a primeira aparição do Arcanjo a São Lourenço Maiorano. Na ilha grega de Symi está o sexto santuário de São Miguel, que abriga a efígie de três metros do Santo, uma das maiores do mundo. A Linha Sacra termina em território israelense, no Mosteiro de Monte Carmelo, em Haifa, que se tornou local venerado desde a antiguidade. A construção do sétimo santuário, calcula-se,  teria sido no século XII.  Tempos diferentes e distantes, as construções seguem linha reta desde o início até a última e, incrível, são equidistantes e estão alinhadas de modo perfeito e assombroso. A missa, que acompanhamos,  rezada na gruta onde reinava pesado silêncio, envolvidos por grande  umidade e imensa manifestação de devoção, criou clima que nos deixou surpresos. Lá escutei pela primeira vez a oração dedicada a ele, que era rezada nas missas em latim. Tirada do ritual em 1884 pelo papa Leão XIII, voltou à liturgia em 1994, a pedido de João Paulo II. Dizem, é oração poderosa:

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate e

Sede nosso refúgio contra a maldade e as ciladas do demônio.

Ordene-lhe Deus, insistentemente vos pedimos,

e vós, Príncipe da milícia terrestre,  pelo Divino Poder

precipitai ao inferno a Satanás e a todos os espíritos malignos

que andam pelo mundo procurando perder as almas.

Amém.

Recentemente a espada da imagem de São Miguel exposta no Santuário da Puglia foi retirada do Santuário e saiu em peregrinação pela Itália para  abençoar o povo italiano e pedir o fim da pandemia que tem abalado todos os habitantes do planeta. O dia 8 de Maio é dedicado a São Miguel Arcanjo.

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