Um minuto de reflexão

Por: Baltazar Gonçalves

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Filocalia significa AMOR À BELEZA, essa beleza que se confunde com o BEM. É um capítulo da Literatura sapiencial para quem busca a experiência dos que resistiram às ilusões e desafiaram as engrenagens do mundo, obtendo assim, a convergência mínima e dolorosa dos fragmentos do próprio ser. Desde suas origens é fonte inesgotável de saber.

Felicidade e Sabedoria, onde encontrar uma para realizar a outra?

Passamos a vida em busca do conhecimento entre a diferença do que vale a pena guardar no espírito daquilo que é descartável, superficial e dispensável para a realização da felicidade.

Para quem, no aqui agora presente, deseje recompor os rastros deixados por quem fez, do seu ofício na escrita, mapa e guia para o espírito humano, herdará um esboço um tanto mais nítido do seu caminho frente à natureza múltipla, diversa, especulativa e que escapa aos sentidos.

Acordamos com o mais condicionado dos pensamentos, o último comentário que lemos nas redes sociais, uma voz digital dentro da cabeça. Esse falso acordar replica no espírito a constante impermanência que transforma o esforço em busca da felicidade num caldo oleoso no qual escorregamos.

Se eu falo na terceira pessoa para incluir o leitor, não me desculpo. Presumindo que já somos uma civilização midiática vulnerável e exposta. Absorvemos das mídias o pior e o melhor de tudo, quase sem restrição ou nenhuma barreira de contenção. Talvez seja só entulho a distração literalmente desovada em nossa mente, germe que eclode espalhando o vazio, programa instalado por gosto e compulsão. Talvez o que antes fosse motivação na busca por felicidade tenha sido trocada pela nódoa, detrito caído na roupa de um e logo na de toda gente.

Por isso, ao encontrarmos fios de percepção que possam nutrir nossa busca por sabedoria e felicidade, saibamos distinguir a luz externa que nos cega das trevas que cultivamos em nós. O que dá esse calor no coração, que consome as paixões e produz na alma alegria e júbilo, é o que nos fortalece - amor num sentimento de plenitude.

O paladar discerne os alimentos, já diziam os mais antigos, o gosto pelo que é espiritual descobre infalivelmente a natureza perversa da distração imposta segundo a segundo. Discernir o que se apresenta no turbilhão cotidiano pode lançar o coração na dúvida,

pois que tudo é distração. O que faz parecer alegria insensata é apenas presunção, presunção sob a aparência de fervor, fogo entorpecente e desordenado que a todo tecido corrompe.

Aqueles que buscam felicidade apesar do entorpecimento dos sentidos, não só pelas mídias, mas por elas principalmente condicionados, encontrarão a sabedoria no mapa estendido, quase perdido de tão à vista.

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