Riso 9000

Por: José Antonio Pereira

Mauro Ferreira

A sigla conhecida como ISO 9000 expressa obediência a um grupo de normas técnicas que todas as empresas modernas aspiram, é um símbolo da qualidade da gestão dos serviços que prestam. A Sabesp, concessionária local dos serviços de água e esgoto, possui a certificação, embora até focos de dengue tenham sido flagrados em estação de tratamento de água em São Paulo.

O desperdício por vazamentos de água é um sério problema, principalmente em cidades onde a rede é muito antiga. Mas confesso que, quando recebi no final do ano passado uma comunicação da empresa que iria trocar as redes de água do bairro onde moro, senti um arrepio e comecei imediatamente uma sessão de descarrego com chá de camomila. Pressentí que não seria nada bom para minha paz espiritual, embora não me incomodem a lama e a bagunça temporária de obras, pois vivo nesse meio profissional.

Primeiro foi no Laboratório das Artes. A Sabesp rasgou a calçada novinha, mas refez imediatamente o piso. Na hora do almoço, um menino passou pisando no concreto mole diante dos operários, que nada fizeram. Parecia a calçada da fama, mas não há atores canastrões e hollywoodianos na cidade. Talvez o prefeito, mas seria o único. Reclamei com a empreiteira, ela nem tchum. Reclamei na Sabesp e logo estavam lá para refazer o serviço, debaixo de chuva. Não ficou bom, mas deixei para lá, nem a pintura do rebaixo para pedestres refizeram.

Foram embora para outra rua, mas deixaram a produção de concreto nos fundos do Lab. Não deu outra. Subiu um caminhão na calçada e destruiu outro pedaço da calçada novinha. Reclamei de novo, fui atendido em Itapetininga ou coisa parecida, numa espécie de call center. Vieram novamente refazer. Ficou diferente do resto da calçada, sem junta de dilatação, mas deixei para lá. O entulho ficou março inteiro num terreno baldio e a falta de educação fez começarem um lixão no lugar.

Daí chegaram à minha casa, onde plantei uma árvore anos atrás, que está enorme, numa calçada verde. Cortaram raízes para passar o encanamento novo, reclamei na prefeitura e na Sabesp para saber se ela corria risco de queda sobre os transeuntes. Depois de idas, vindas e telefonemas, a árvore ficou, mas as pedras da calçada foram repostas sem compactar. Logo, uma quebrou com o peso do carro ao entrar na garage. Pensei, reclamo de novo ou desisto? Serei um cidadão ou a arrogância da Sabesp, criada nos tempos da ditadura e politizada pelos tucanos (vários dirigentes locais viraram políticos), não tem conserto?

Desisti, tirei o time de campo. As calçadas da cidade não são mesmo prioridade do governo Sidnei, que não tem planejamento algum, pois os rasgos no asfalto que a própria Sabesp pagou para a prefeitura recapear estragaram a pintura de solo e ameaçam a segurança dos usuários. O jeito é se conformar com a verdadeira piada de mau gosto que é o RISO 9000 da Sabesp.

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