O barquinho vai

Por: José Antonio Pereira

Farisa Moherdaui

Nesses últimos tempos, ser chic, estar na moda é viajar, mas de navio, claro. É participar de um cruzeiro em embarcações modernas, de alto custo e no maior conforto. Mas há também os navios mais modestos que oferecem preços módicos em prestações suaves e uma vez lá dentro, seja o que Deus quiser, desde o balanço de lá pra cá até aquela situação mais séria a do desconforto intestinal que aparece quando menos se espera.

E já que falo de viagem, navio, mar, lembro aquela vez em tempos já passados quando eu e algumas amigas rumamos de Franca para Santos naquela perua Kombi, alugada e um tanto esquisita, parecendo oferecer poucas condições de chegarmos ao nosso destino. O motorista, dados os desvios e desencontros pelo caminho, talvez nem portasse a sua CNH. Mas parte da apreensão desapareceu quando vimos a praia e o mar, aquele mundão de água que parecia estar exclusivamente a nossa espera.

O apartamento, na Avenida Ana Costa, seria mesmo esse o nome? Não me lembro e o proprietário, o senhor Bahji Hamuy, foi quem nos alugou e, segundo ele, por um preço de pechincha.

Já em Santos, a circulação em tudo a que fosse de direito, até que um dia alguém teve a brilhante idéia de promover um lazer diferente: um passeio num barco, também diferente, chamado “Loirinha”, numa disputa de pessoas que, debaixo do sol abrasador, iam formando aquela fila que parecia não ter fim. E já dentro da “Loirinha”, gingavam de lá pra cá, fazendo dançar até quem não sabia.

Depois do passeio, já em terra firme, o corre - corre para atravessar a avenida. E feliz daquele que chegasse primeiro ao apartamento, ou melhor, ao banheiro do apartamento.

De volta a Franca, a mesma Kombi, o mesmo motorista sem a sua CNH, e ainda o aluguel a ser pago. Mas a certeza é que algumas das pessoas que estão hoje lendo essa crônica, conheceram um dia um barco chamado “Loirinha”, que navegou por muito tempo no mar de Santos. Elas também gostaram, aposto!

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