Tardes de domingo

Por: José Antonio Pereira

Bonito, cheio de graça, o visual oferecido pelas damas e cavalheiros que freqüentam animada danceteria, aos finais da tarde de domingo, ali no bairro da Estação. Cor e brilho estampados nos trajes que usam, além do rastro de perfume que paira no ar. Mas chama a atenção também o respeito, a alegria, a espontaneidade e, quem sabe, a vontade ser mais feliz naqueles momentos, em tardes de domingo.

São casais, alguns já não tão jovens, que chegam de mãos dadas e riso aberto.

Há aqueles que acabam se conhecendo ali mesmo, no calçadão, entre risos e animadas conversas, cujo motivo seja, quem sabe, o prazer pela própria dança ou a alegria do encontro de quem almeja viver longe da solidão.

Talvez, ainda, dançar ou namorar seja a compensação para elas e para eles que certamente se entregam a um árduo trabalho no decorrer de toda a semana. E é ali na danceteria que os pezinhos ainda cansados mais parecem borboletas a rodopiar ao som de musicas de forró, sertanejo ou romântico e tudo vale a pena.

Mas num domingo ou noutro, indo ou voltando das minhas caminhadas, não vejo cores, não ouço música e nem sinto perfume pairando no ar. Imagino então que as graciosas damas numa provocação de ciúme ou pirraça preferem chegar atrasadas deixando ali à espera os afoitos cavalheiros que em tardes de frio ou calor estão sempre elegantemente trajados de palito, gravata e sapatos luzidios.

Gosto de passar por ali quando sinto também a alegria das tardes de domingo.



 

Farisa Moherdaui é professora aposentada

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