Melodias eternas

Por: José Antonio Pereira

Popular ou erudita, a música fala à alma de todas as gerações. Na vertente popular ou um pouco mais erudita, gostaria de destacar algumas melodias que fizeram parte da minha vida e da minha geração.Entre algumas inesquecíveis, arranjos maravilhosos de Ray Conniff para sua orquestra e coral: Somewhere My Love (tema de Lara de Dr. Jivago), enredo ganhador de 5 Oscars, incluindo o de melhor trilha sonora. E Love is a many splendored thing, tema principal do filme Suplício de uma saudade, canção vencedora do Oscar de 1955.

Reportando-nos a Tchaikovsky podemos relembrar uma das mais belas peças já escritas, o balé em quatro atos O lago dos cisnes, sem deixar de citar o célebre O quebra-nozes. O rei da valsa Johann Strauss II assinou as inesquecíveis Valsa do Imperador, Vozes da Primavera Danúbio Azul, esta em homenagem ao rio que atravessa Viena.

Rimsky-Korsakov compôs entre tantas belezas a suíte sinfônica Scheherazade, a qual foi por ele apresentada em 1890. Perturbado pelo enorme sucesso obtido proibiu sua execução em forma de balé. Mas a repercussão foi tão grande que a vontade popular venceu.

Bedrich Smetana, compositor tcheco, nos brindou com O Moldau, onde descreve os encantos de seu país, exaltando principalmente os rios. Ao terminar a composição, o artista estava completamente surdo, não podendo ouvir a melodia que ele próprio criara.

Não há como dizer um pouco de todos os compositores de música clássica. Perdoem-me os fãs de Beethoven, Paganini, Mozart, Chopin etc.

Retomando às grandes orquestras dos anos 60 e 70, impossível esquecer o Paul Mauriat de Love is blue, canção que descreve as alegrias e dores do amor, em analogias com as cores e elementos como o vento e a água. E quem não se lembra do fabuloso norte-americano Henry Mancini, um dos maiores compositores de trilhas sonoras para a televisão e cinema, construindo a carreira em Hollywood onde ganhou 4 Oscars e uma coleção infindável de Grammys? Ele tornou eterna a deliciosa comédia estrelada por Peter Sellers com a trilha sonora A pantera cor de rosa. Foi Mancini quem fez o arranjo especial para uma das canções mais gravadas na história da música popular mundial, Stardust.

O francês Michel Legrand, embora tenha suas raízes fincadas no jazz, trabalhando com nomes do gênero como Miles Davis e Bill Evans, também foi grande compositor de trilhas sonoras para o cinema, ganhando 3 Oscars, inclusive com a memorável Verão de 42.

Ainda sobre canções que marcaram época, que tal Volare de Domenico Modugno ? E a maravilha composta especialmente para Louis Armstrong por Bob Thiele e George Weiss, nos confusos anos 60, como um antídoto ao clima tenso de distúrbios raciais e políticos da época, denominada What a wonderful world?
Caros leitores, este mundo da música é mesmo maravilhoso. Saboreiem um lindo amanhecer ao som de Bridge over troubled water, de Paul Simon, ou tenham uma boa noite embalados pelos acordes de Moonlight serenade, de Glenn Miller : “ I stand / at your gate/ and the song/ that I sing/ is of moonlight..”. Ouvidos e alma agradecem.



 

Hélio França é engenheiro e escritor

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