Impressões

Por: José Antonio Pereira

Eny Miranda


 

Vasto céu a se perder
Em ar e luz e azul...
E a se recortar
Em graça
Nas asas da garça
A se esculpir
Em prata
Nas torres e pontes
Muralhas e ameias
De castelos voláteis
E a se esgarçar
Em malvas ouros magentas...
Nas chamas tardias
Dos maios poentes

Vasto rio a se quedar
No abismo
De luzes e ramas e pedras e espumas
E a repartir o branco
Em lilases e verdes
Laranjas anis...
A se conduzir
Em leito de seixos e lamas e limos
E a se desfazer
Inteiro
Em mantras de vagas
E danças de algas
E águas e sais
Nos profundos azuis

Vasta terra a se espraiar
Em beges e ocres e verdes
A escalar encostas
E cumes longínquos
A se fechar em grutas
De susto e segredo
E a se abrir em vales
De paz e clareza
A vislumbrar encontros
De águas e areias
Em largos braços lassos
De laços e abraços

Vasto mar a se erguer
Em sal e sol
Iodo e vida
E a se dobrar
Em morte
Na vaga destroçada
A desenhar a orla
Em ondas de areia
A ressoar marulhos
Em tempo de espumas
E vogar maresias
Em tempo de marés

Vasta alma a se abrir
No ópio de olhares vagos
E a se perder no abismo
De água ar e areia
A deitar olhos fluidos
No infinito breve
Da vaga massa viva
E a vagar suspensa
No espaço eterno
Do universo-essência
No infinito espaço
Do ainda não sei.



 

Eny Miranda Médica e poeta

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