Heitor Dhalia

Por: José Antonio Pereira

Heitor Dhalia é pernambucano. Nasceu na capital de seu Estado no dia 17 de junho de 1970. Começou a trabalhar em São Paulo, para onde se mudou em 1999. Foi frila numa agência de publicidade onde logo se destacou, passando em pouco tempo a assinar campanhas importantes. Criou e produziu mais de cem filmes publicitários.


Em 2000 foi convidado por Aluizio Abranches a desempenhar as funções de assistente no longa Um copo de cólera. Entusiasmou-se. No final dos trabalhos deste filme, fez o seu primeiro curta, Conceição, tocante homenagem ao Recife, sua cidade. Ergue a saga de ex-presidiários que roubam vestidos de noiva para que duas prostitutas cumpram uma promessa. Repleto de elementos do universo nordestino, recebeu excelente acolhida e alguns prêmios expressivos. Mas Dhalia só voltaria às filmagens em 2004, com o longa Nina. É a história de uma moça pobre que deixa o interior para buscar trabalho em São Paulo. Aluga uma quitinete cuja senhoria lembra a velha usurária assassinada por Ródia em Crime e Castigo, de Dostoiévski. Nina é explorada de todas as formas por esta mulher de nome emblemático: Eulália. A exploração é a coluna vertebral do filme. Em 2006 dirige o polêmico O cheiro do ralo, incensado por uns, odiado por outros, baseado no romance de Lourenço Mutarelli. O protagonista, um sujeito ácido, debochado e cínico, é vivido por Selton Mello, num desempenho muito elogiado pela crítica.


Com À Deriva , Dhalia volta pela primeira vez seu olhar para a classe média, recortando uma situação só aparentemente burguesa. Mergulha nos sentimentos e o faz com delicadeza e competência, num roteiro sugestivo, de amplo alcance pelo que revela de movimentos de alma.

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