Mito e vero

Por: José Antonio Pereira

Cinco décadas se foram
Desde o ato de ousadia e amor
Que, do sonho, engendrou matéria,
E, da prancheta para a vida, despertou
Brasília - visão antiga de profeta.

 
Qual aeronave onírica,
Pousa, corpo e asas, no cerrado:
Sopro no solo,
Ave no ninho,
Aço no barro.
 
Corpo no corpo,
A nave fecunda a terra;
A terra concebe o sonho;
O sonho se faz verdade.
 
Brasília - milagre do homem.
Deserto onde pedras germinaram;
Jardim onde prédios irromperam
Nos gramados, das sementes de calcário.
 
Cimento, aço, cal, terra molhada...
Cérebro, nervos, coração... disputas.
Campo de verde e verbo,
Carne e concreto,
Poder e luta.
 
Brasília - horizonte nu.
Céu e chão se encontrando
Em arte e ardis;
Reta e vórtices:
Alma em corpo; sonho em vida.
Mito e vero.
 
 
Eny Miranda
Médica, poeta e cronista

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras