Lewis Carroll

Por: José Antonio Pereira

O nome civil, Charles Lutwidge Dodgson, já está quase esquecido; o pseudônimo, Lewis Carroll, imortalizou-se, faz parte das listas de ícones da literatura mundial. Nascido em 27 de janeiro de 1832 em Che-shire, Inglaterra, viveu até os 66 anos. Já havia publicado poemas e contos na revista The Train, quando escreveu a história aparentemente infantil para Alice Liddel, a filha do reitor da sua universidade. Depois de Alice no País das Maravilhas, publicaria uma sequência, Alice no País dos Espelhos.


Charles estava destinado à carreira eclesiástica por seu pai, membro do clero da Igreja Anglicana. Contrariou a família e foi estudar matemática, formando-se com louvor e se tornando professor de Oxford.Muitos dos enigmas propostos à personagem Alice são derivativos de seu gosto pelos números e pela lógica.


 Os franceses usam a expressão “avant la lettre” para situar aqueles que anunciam antes de todos alguma tendência. Ela é bem apropriada para definir Carroll como um dos primeiros surrealistas.Transpôs para a ficção o mundo onírico, aquele onde tudo é possível e os fatos e seres não obedecem à lógica da vida real. Antes de Freud, Carroll mergulha neste universo e retira dele material para suas histórias onde a única coisa previsível é o imprevisível.


Como esteta, procurou na língua inglesa novas possibilidades de expressão e comunicação, brincando com a forma e o fundo. Numa passagem célebre, a Duquesa alerta Alice a “cuidar do sentido” porque assim, “os sons das palavras cuidariam de si mesmos.” Com certeza era Carroll aconselhando-se.

(SM)

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