Dostoiévski

Por: José Antonio Pereira

Fiódor Dostoiévski nasceu em Moscou em 1821. O pai era médico, a mãe tivera refinada educação. Mandado com o irmão para a Academia Militar de Engenharia aos 14 anos, ali aprende matemática e descobre Shakespeare, Hoffman e Schiller. O francês que a mãe lhe ensinara lhe possibilitará ler no original Pascal e Victor Hugo. Alguns anos depois traduzirá para o russo o romance Eugénie Grandet, de Honoré de Balzac, de quem se tornou amigo em São Petersburgo. Nesta cidade passará a morar depois do assassinato do pai, por empregados, em 1838. Continua no exército até 1844, quando resolve se dedicar inteiramente à literatura. Seu primeiro livro foi Gente Pobre (1844), recebido com aclamação pela crítica. Nos anos seguintes publica obras de menor qualidade. Em abril de 1849 é preso, acusado de conspirar contra o czar Nicolau I. Condenado à morte, tem a pena comutada minutos antes da execução. Este episódio muda a sua maneira de avaliar a vida. Vai para a Sibéria, cumprir trabalhos forçados. As crises da epilepsia se intensificam. Libertado em 1854, vai viver em Tver. Funda a revista Vremya, Tempo, com o irmão Mikhail. Publica Humilhados e Ofendidos (1862). Viaja pela Europa. Volta e publica Memórias do Subsolo (1864). Em 1865, Crime e Castigo, obra capital: um jovem, Raskólnikov, assassina duas mulheres, conhece uma prostituta, Sonia Marmeládova, e nela encontra a salvação. O tempo da ação, um mês, estende-se por 600 páginas. A experiência de leitura acompanha em vertigem a vivência dos personagens.


Depois de Crime e Castigo viriam O Jogador (1866), O Idiota (1868), Os Endemoniados (1872), Diário de um Escritor (1873) . Em 1880, Os Irmãos Karamazov. Morre no ano seguinte, em São Petersburgo. 60 mil pessoas participam do cortejo. Dele disse Bakhtin: “Não há Dostoiévski sem Rússia nem Rússia sem Dostoiévski”.

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