Poema de alto mar

Por: José Antonio Pereira

Está fazendo água o navio
Dois mundos a se confrontar
Acima céu azul, amarelo sol
Abaixo águas escuras, profundas, primordial
 
Salvem primeiro as crianças
Que vivem dentro de mim
De quatro, cinco anos, mais e menos
Espalhadas por aí
Procurem nos camarotes, proa e popa
Perguntem ao timoneiro, ao capitão
Não deixem nenhuma se perder
Não permitam que maculem seus olhos
De ver dia amanhecer
 
A água está subindo rápido
Não há muito o que fazer
Salvem agora os velhos
Que já vivem dentro de mim
Não deixem que sofram seus olhos
De ver dia chegar ao fim


Que se percam nas águas escuras
Lobos, coiotes, raposas e afins
( e que teimam viver dentro de mim)
Que as águas do tempo sepultem seus olhos
Predadores a quem as vezes sucumbi.

 

Silvana Bombicino  Damian
É empresária e escritora

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