Ficha limpa

Por: José Antonio Pereira

Dentre os papéis exigidos por ocasião de minha candidatura a Deputado Federal, estava a famosa folha corrida. Para meu espanto, somente naquela ocasião tomei conhecimento de que havia uma denúncia contra minha pessoa. A denúncia, pasmem os prezados leitores!, partiu do José Corrêa Neves. Penso que foi por difamação (à época, isto é, na década de 90 estávamos em plena guerra). Como nasceu, a denúncia morreu. Não foi para frente, mas deixou uma marca, um registro. Não trouxe nenhum impedimento à minha candidatura. Maiores problemas trouxeram-me os óculos escuros. Por causa deles impugnaram-me e se não fosse o recurso interposto por meu filho, eu não seria candidato e, por outro lado, não teria também o dissabor de um insucesso eleitoral.


Maurício Sandoval enfrentou um problema mais grave. Ao tempo em que ele era Prefeito, autorizou uma licitação que foi glosada pelo Tribunal de Contas. Teria de devolver uma considerável quantia para os cofres públicos. Seus amigos já se preparavam para ajudá-lo em um rateio. Porém, Maurício, cônscio da legalidade de seu ato, resolveu demandar. Ganhou em primeira instância. Perdeu na segunda instância e só, há pouco tempo atrás, ganhou a questão no STJ.


Como o prezado leitor pode perceber, esta tal de “ficha limpa” pode ajudar, mas, não resolve. O malandro, o verdadeiro malandro, o malandro que se preza não deixa rastros. É por isso que o estimado leitor não se surpreende e nem se cansa de ver “ladrões, ladrãozinhos e ladrãozões” aboletados no poder e, com a maior cara de pau, ditando normas de moralidade e honestidade para a sociedade brasileira.


Melhor do que uma “ficha limpa” para impedir a proliferação dos políticos corruptos, seria uma investigação sobre os sinais exteriores de enriquecimento ilícito de certos políticos e de sua “gang”. Há, na política brasileira, verdadeiros Midas que, ao assumir um mandato legislativo ou executivo, transformam-se, da noite para o dia, de um simples pé rapado em homens ricos e poderosos.


Finalizando, faço uma pergunta ao caro leitor:
“Você já votou em algum corrupto?”


Sua resposta, evidentemente, será não. Corruptos são os candidatos dos outros! Não é mesmo?

 

Chiachiri Filho
Historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras

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